Flávio Bolsonaro: o herdeiro de Jair tenta levar o clã de volta ao Planalto
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disputa neste domingo (25/10) a Presidência da República contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após terminar o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A campanha procurou projetar a imagem de um candidato mais moderado e com identidade própria, embora ele carregue o sobrenome do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em vídeo publicado nas redes sociais do casal em abril, a esposa do senador, Fernanda, resumiu a estratégia: "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado", disse ela, acrescentando que o "reeducou". A mudança também apareceu em temas concretos. Flávio, que já havia chamado o Bolsa Família de "bolsa-farelo" e criticado o fim da escala 6x1, recuou dessas posições: passou a defender a manutenção do programa social em seu plano de governo e votou a favor da redução da jornada de trabalho no Senado.
Após o resultado do primeiro turno, o senador afirmou estar "muito feliz" com o desempenho. "Quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras me dando voto de confiança para mudança. Essa é a leitura de hoje: o Brasil quer mudança", declarou. "Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país", acrescentou. Se vencer, Flávio poderá impor a Lula o mesmo desfecho que o petista impôs a seu pai em 2022: a derrota na tentativa de reeleição. Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente brasileiro a não conseguir um segundo mandato consecutivo desde que a reeleição passou a ser permitida, em 1997.
O candidato também conta com a simpatia e o apoio — ainda que não publicamente declarado — de Donald Trump e mantém laços políticos com o governo americano, acusado por parlamentares democratas e independentes dos Estados Unidos de tentar interferir na eleição brasileira e favorecer Flávio. Caso eleito, terá uma bancada expressiva de aliados no Congresso — o PL terá a maior bancada na Câmara dos Deputados em 2027 — e deve encontrar receptividade no mercado financeiro, onde sua candidatura é associada à expectativa de maior disposição para cortar gastos e ajustar as contas públicas. Há, porém, desafios: as promessas de buscar uma forma de libertar o pai, condenado por tentativa de golpe de Estado, e de indicar até cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) colocam a relação com o Judiciário entre as questões centrais de um eventual governo.
Flávio começou cedo na política. Ainda no ano 2000, aos 19 anos, foi nomeado para um cargo na Câmara dos Deputados, como assistente técnico de gabinete na liderança do PPB, então o partido de Jair Bolsonaro. Sua estreia nas urnas foi em 2002, aos 21 anos, quando conquistou o primeiro mandato de deputado estadual, apoiado pelo pai. Anos depois, tornou-se alvo da denúncia de que teria servidores fantasmas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O caso veio à tona no final de 2018, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentação milionária na conta de Fabrício Queiroz, então chefe de gabinete de Flávio na Alerj, incompatível com seu salário. Em 2020, Queiroz foi denunciado pelo Ministério Público por supostamente operar um esquema que recolhia parte do salário dos funcionários do antigo gabinete em benefício do parlamentar. Flávio chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio em 2019 por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, mas o caso foi paralisado por decisões judiciais sem que o mérito fosse julgado. Ele nega as acusações e afirma que as denúncias eram perseguição política para atingir o governo do pai.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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