Koovakad: a fraternidade não permaneça no papel, mas seja vivida nas Igrejas, escolas e famílias
O cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, defende que a fraternidade entre as religiões não fique restrita a declarações e documentos, mas seja vivida concretamente nas igrejas, nas escolas e nas famílias. A afirmação consta de entrevista concedida por ele por ocasião dos 60 anos da declaração Nostra aetate, do Concílio Vaticano II, e da publicação da Nota “Um caminho de esperança”.
Segundo o cardeal, a experiência de quase dois anos à frente do dicastério mostra um diálogo que já tem raízes estruturais profundas, mas que precisa enfrentar continuamente novas tensões. Ele lembra que a Nostra aetate não é um texto isolado: já em 1964, antes mesmo de sua promulgação, São Paulo VI havia criado o Secretariado para os Não Cristãos, hoje Dicastério para o Diálogo Inter-religioso. Esse órgão, junto com as comissões para as relações com o judaísmo e com o islamismo, transformou uma intuição conciliar em estrutura permanente da Cúria e da missão da Igreja.
Koovakad avalia que houve uma mudança estrutural de perspectiva: passou-se de atitudes de rejeição, desconfiança ou simples ignorância para relações duradouras de amizade entre líderes religiosos, projetos educacionais e sociais compartilhados e declarações conjuntas diante de guerras e crises humanitárias. O diálogo, diz ele, se articula em vários níveis — da vida cotidiana, das obras, dos intercâmbios teológicos e da experiência religiosa e monástica — e deixou de ser atividade periférica ou diplomática para se tornar dimensão constitutiva da missão evangelizadora.
O prefeito cita frutos concretos desse caminho, como a continuidade da fraternidade com o islamismo e a extensão do diálogo às grandes tradições asiáticas — hinduísmo, budismo, jainismo, sikhismo, xintoísmo, taoísmo e confucionismo — e às religiões tradicionais africanas. Ele menciona instrumentos operacionais já incorporados ao trabalho cotidiano do dicastério, entre eles a revista Pro Dialogo, as mensagens de felicitações para festas de outras tradições, a colaboração com o Conselho Ecumênico das Igrejas, a Rede de Mulheres para o Diálogo Inter-religioso e os fóruns dos “Jovens em Diálogo”.
Ao mesmo tempo, o cardeal aponta desafios persistentes: fundamentalismos, instrumentalização política da religião e, em vários países, um secularismo que reduz a questão religiosa a folclore ou a opinião privada. Ele observa que, em sociedades pluralistas ocidentais, o diálogo corre o risco de ser confundido com relativismo, enquanto em outros contextos pode ser sufocado pela violência ou pela falta de liberdade religiosa para os cristãos. A Nota “Um caminho de esperança”, afirma, não esconde essas feridas, entre elas as perseguições sofridas por cristãos e as tensões ligadas aos conflitos no Oriente Médio.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar