Fernández: todas as religiões são pela paz, jamais pela guerra
O cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, afirmou que todas as religiões existem para promover a paz e nunca a guerra. A declaração foi feita em entrevista sobre a nota “Um caminho de esperança”, publicada por ocasião dos 60 anos da declaração conciliar Nostra aetate.
Segundo o cardeal, em um mundo marcado por divisões, guerras e violências, nas quais o componente religioso é frequentemente apontado entre os motivos de confronto, a declaração conciliar mantém plena atualidade. Fernández recordou o número 9 da nota, que retoma uma passagem fundamental do parágrafo 5 da Nostra aetate: não se pode invocar Deus como Pai de todos os homens se não se comportar como irmãos em relação aos outros, criados à imagem de Deus. O texto afirma ainda que a Igreja reprova, como contrária à vontade de Cristo, qualquer discriminação entre os homens e perseguição por motivos de raça, cor, condição social ou religião.
O prefeito do Dicastério destacou que o próprio Pontífice Leão XIV reiterou o mesmo princípio em sua encíclica Magnifica Humanitas, no parágrafo 223, ao afirmar que quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto, e que combater em nome da religião significa, na realidade, atingir a própria religião. Fernández mencionou também o “espírito de Assis”, suscitado por São João Paulo II e continuado no compromisso do Papa Francisco, inclusive no diálogo com o grão-imame de Al-Azhar, como demonstração de que os fiéis podem voltar às fontes mais autênticas de suas tradições espirituais, nas quais não há espaço para o ódio sacralizado.
Sobre o significado concreto do diálogo hoje, o cardeal citou São João Paulo II, que em conversas privadas destacava a urgência de conjugar a máxima identidade com o máximo diálogo. Para Fernández, o diálogo autêntico é também anúncio, pois cada um deve mostrar claramente ao outro a própria identidade e procurar manifestá-la em toda a sua beleza e harmonia. Ele recordou ainda a exortação Dilexit nos, nos números 209 e 210, segundo a qual a missão de anunciar o Evangelho requer missionários apaixonados, conquistados por Cristo, que não impõem verdades nem regras, mas comunicam o que vivem, com respeito à liberdade e à dignidade do outro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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