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Como um casamento real na Alemanha deu origem à maior festa da cerveja do mundo (e como ela chegou à América Latina)

Por Ivan Marra
Atualizado em 20/09/2026 às 06:20 schedule 3 min de leitura visibility 31 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A Oktoberfest, maior festival folclórico do mundo, nasceu de um casamento real celebrado em Munique em 1810, quando a Alemanha ainda não existia como país unificado. O príncipe herdeiro Luís, do recém-proclamado reino da Baviera, casou-se com a princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen e, em vez de uma cerimônia restrita à aristocracia, convidou o povo para uma festa de cinco dias, com cidade iluminada, ópera e baile gratuitos, além de comida e cerveja custeadas pelo rei.

Segundo historiadores citados na reportagem, a celebração foi planejada para que comunidades culturalmente distintas se percebessem como uma única nação, em plena guerra napoleônica. A festa culminou em 17 de outubro com uma corrida de cavalos em um campo fora das muralhas da cidade, que reuniu cerca de 40 mil pessoas — número expressivo para uma Munique que, segundo o Serviço de Estatística local, tinha então 40.638 habitantes. O sucesso fez o rei batizar o local como Theresienwiese (Campo de Teresa), e a festa, originalmente realizada em outubro, ficou conhecida como Oktoberfest.

A tradição se repetiu no ano seguinte, com exposição agrícola que continua sendo feita a cada três anos; as primeiras barracas de cerveja e o primeiro carrossel chegaram em 1818. Em 1872, após reclamações sobre o clima, as autoridades decidiram transferir o festival para setembro, quando os dias são mais longos e as temperaturas, mais agradáveis.

A festa foi cancelada durante a Primeira Guerra Mundial e, depois do conflito, sobreviveu de forma reduzida como Kleineres Herbstfest (Pequena Festa de Outono) até 1921, quando retomou o nome original. Com exceção de 1923, quando a hiperinflação obrigou ao cancelamento, a tradição seguiu até a chegada de Adolf Hitler ao poder, em 1933. Naquele ano, judeus foram proibidos de trabalhar no festival e, mais tarde, o regime nazista o rebatizou como "Großdeutsches Volksfest", usando-o como vitrine de uma identidade étnica excludente. Com a Segunda Guerra Mundial, o evento foi suspenso entre 1939 e 1945.

No pós-guerra, Munique em ruínas manteve o festival de forma precária por três anos, com cerveja de baixo teor alcoólico imposta pelo governo militar americano, alimentos racionados e fechamento às 19h por falta de energia. Somente em 1949 a cerveja normal foi liberada e a Oktoberfest recuperou o nome e voltou a ser realizada após uma década de ausência. Hoje, o evento reúne mais de seis milhões de visitantes e mantém elementos como os trajes típicos bávaros — os lederhosen masculinos e os dirndls femininos, cujo laço do avental indica a situação amorosa de quem o usa.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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