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Como PF recuperou prints apagados de Vorcaro e identificou contato atribuído a ministro Alexandre de Moraes

Atualizado em 01/09/2026 às 19:10 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
Como PF recuperou prints apagados de Vorcaro e identificou contato atribuído a ministro Alexandre de Moraes

A Polícia Federal (PF) reconstruiu diálogos atribuídos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a partir de capturas de tela apagadas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Documentos da investigação, que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, mostram que o método de comunicação envolvia a criação de notas no celular, a captura de tela do texto e o envio da imagem pelo WhatsApp, muitas vezes como mensagem de visualização única.

Segundo o relatório da PF, cada captura de tela, mesmo excluída, gerava um arquivo temporário em formato PDF armazenado em uma pasta interna do iPhone. Esses arquivos, apagados poucos minutos após a criação, foram recuperados na extração forense. Os investigadores cruzaram os horários de criação e alteração das notas, a produção das imagens e o envio pelo aplicativo para associar o conteúdo ao contato atribuído a Moraes.

Em uma das notas recuperadas, Vorcaro relatou ter recebido informações confidenciais de pessoas ligadas ao Banco Central sobre suposta pressão contra ele e o banco. O texto menciona "G", interpretado como referência a Gabriel Galípolo, então presidente do BC, além de "Andrei" e "Paulo", que a PF entende como possíveis menções ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na mensagem, o banqueiro escreveu que seria importante "reforçar com Andrei e Paulo" para evitar ações contra ele.

A análise identificou uma conversa entre Vorcaro e um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA", número que também aparecia na agenda com outros nomes, como "Novo", "STF TSE NOVO" e "Eu STF". Segundo a PF, o contato foi compartilhado com o banqueiro pelo ex-ministro Fábio Faria em dezembro de 2023. Os documentos não mostram quem usava o aparelho receptor nem as respostas enviadas. Em setembro de 2025, o contato passou a usar mensagens temporárias, configuradas para desaparecer após 24 horas.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que, diante do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo Banco Master, seu setor de compliance consultou o ministro sobre eventuais impedimentos legais, já que Moraes é marido de Viviane Barci de Moraes, sócia-diretora da banca. O escritório sustenta que não foi identificada previsão de atuação no STF nem impedimento legal, e que Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master". A investigação apura suspeitas de fraudes na cessão de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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