Moraes no caso Master: o que mostram as mensagens entre o ministro do STF e Daniel Vorcaro
Mensagens entre Moraes e Vorcaro mostram cobranças por pagamentos e pedidos de interferência
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam uma série de interações com um contato salvo como Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos, que tiveram o sigilo suspenso por decisão do ministro André Mendonça, mostram cobranças do banqueiro por atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes.
Em 8 de fevereiro de 2024, Vorcaro pediu ao cunhado que enviasse o contrato assinado e questionou o vencimento da primeira parcela. No mesmo dia, o tesoureiro do banco enviou o comprovante de uma transferência de R$ 3.422.268,14 para a conta do escritório. O banqueiro, então, pressionou funcionários para que os pagamentos não atrasassem: "É o pgto mais importante que temos", escreveu, acrescentando a orientação de pagar "sempre, sem nota". A investigação também apontou, a partir dos metadados do arquivo, que o contrato foi editado por Moraes. Em nota, o escritório afirmou que consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais e que ele "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master".
As mensagens também indicam que Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto ao diretor da Polícia Federal e ao procurador-geral da República. Em 30 de outubro, após receber informações de que o Banco Central estaria pressionado a agir contra o Master, o banqueiro escreveu: "É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem". Naquele momento, o banco já enfrentava dificuldades financeiras e Vorcaro tentava vendê-lo a investidores.
Em novembro, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria "já estar fora" e se o presidente do Banco Central estava sabendo de algo. No dia da prisão, no Aeroporto Internacional de São Paulo, enviou novas mensagens, incluindo uma em que pergunta se o ministro "conseguiu ter notícia ou bloquear" uma possível ação contra ele. Segundo a PF, os dois se comunicavam por prints de mensagens escritas no bloco de notas, enviados com visualização única, o que impediu a recuperação das respostas de Moraes no celular do banqueiro.
O relatório da PF também envolve a emissão de cartões de crédito do Banco Master para filhos de Moraes. O caso será submetido ao plenário do STF, que deverá analisar os novos elementos em sessão presencial após manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar