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Cientistas investigam borboleta que pode revelar mecanismos da longevidade humana

Por Ivan Marra
Atualizado em 13/09/2026 às 18:35 schedule 3 min de leitura visibility 36 visualizações share 2 compartilhamentos (0)
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Um grupo de borboletas tropicais que vive muito mais do que suas parentes próximas se tornou objeto de estudo de cientistas interessados em entender os mecanismos biológicos ligados à longevidade. Espécies do gênero Heliconius, encontradas em florestas da América Central e da América do Sul, podem sobreviver por quase um ano, enquanto a maioria das borboletas adultas vive apenas algumas semanas.

Os resultados foram publicados na revista Nature Communications por pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, em parceria com o Smithsonian Tropical Research Institute, no Panamá. O trabalho analisou diversas espécies da tribo Heliconiini, reunindo dados de borboletários, estudos de marcação, soltura e recaptura na natureza e experimentos controlados em insetários.

As diferenças de longevidade chamaram a atenção. A espécie Heliconius hewitsoni alcançou 348 dias de vida, enquanto a aparentada Dione juno viveu apenas 14 dias — uma diferença de cerca de 25 vezes na longevidade máxima observada. Mais do que viver mais, uma das espécies analisadas, a Heliconius hecale, praticamente não apresentou perda de desempenho físico com a idade. Em testes de força de aderência, as borboletas mais velhas se sustentaram com a mesma eficiência das mais jovens, sem evidências claras de deterioração muscular. Espécies aparentadas de vida curta exibiram o comportamento esperado, com perda gradual de desempenho conforme envelheciam.

Os pesquisadores investigaram o papel da alimentação nesse processo. Diferentemente da maioria das borboletas, que consome basicamente néctar, as Heliconius também se alimentam de pólen na fase adulta, comportamento raro entre borboletas. O pólen fornece proteínas, aminoácidos e outros nutrientes. Para testar a hipótese, os cientistas compararam a Heliconius hecale, que consome pólen, com a aparentada Dryas iulia, que não tem esse hábito. As Heliconius mantiveram massa corporal e desempenho muscular por mais tempo, mas, mesmo privadas do pólen durante os experimentos, continuaram vivendo significativamente mais do que suas parentes. Segundo os pesquisadores, adaptações evolutivas acumuladas ao longo de milhões de anos provavelmente também contribuíram para o desenvolvimento de mecanismos próprios de proteção contra o envelhecimento.

Os cientistas ressaltam que a pesquisa foi feita exclusivamente com insetos e que ainda são necessárias muitas pesquisas para compreender quais processos moleculares estão envolvidos e se eles podem ser encontrados em outros grupos de animais. Ainda assim, o estudo oferece um novo caminho para a biologia do envelhecimento, ao observar soluções desenvolvidas pela própria evolução. As Heliconius surgem como um modelo natural para investigar genes, processos metabólicos e mecanismos celulares responsáveis por retardar a senescência.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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