Cidade aprova independência do Reino Unido para protestar contra centro de imigrantes
Moradores de Piddington, pequena cidade de 350 habitantes no condado britânico de Oxfordshire, no sul da Inglaterra, aprovaram nesta terça-feira (15) uma votação simbólica para que a localidade se torne independente do Reino Unido. A medida não tem valor legal e foi convocada como forma de protesto contra o plano do Ministério do Interior britânico de alojar 1.256 imigrantes do sexo masculino requerentes de asilo em uma base militar na cidade vizinha de Bicester.
Segundo informações da emissora BBC, a votação foi organizada pela Câmara de Vereadores local e terminou com 285 votos a favor da "separação", 26 contrários e um voto nulo. "Este é um exemplo da democracia em ação. Entramos neste centro comunitário [local da votação] em desvantagem — tínhamos uma ideia ousada. Enviamos uma mensagem ao mundo", afirmou o presidente da Câmara, Tim McNally.
Ainda de acordo com a BBC, mais de 130 moradoras de Piddington escreveram mensagens a todas as deputadas do Parlamento britânico. No texto, afirmaram que "a vida como a conhecemos será destruída" caso o plano do centro de imigrantes seja colocado em prática. "Como mulheres, vocês compreenderão os sérios riscos aos quais isso nos exporá. Nossa segurança e nossas liberdades estarão ameaçadas. Não nos sentiremos seguras ao caminhar pelas nossas ruas", alegaram.
Mesmo organizações de apoio a imigrantes se opuseram ao alojamento na região. "Eles [requerentes de asilo] ficarão distantes do tipo de apoio de que geralmente precisam, e isso sobrecarregará os serviços públicos encarregados de atendê-los", afirmou Hari Reed, da organização beneficente Asylum Welcome, sediada em Oxfordshire.
O primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Andy Burnham, disse compreender a "intensidade do sentimento" da população da cidade, mas afirmou que é necessário haver "justiça" na distribuição de centros de imigração para que outras regiões britânicas não sejam sobrecarregadas. "A única coisa a fazer é reduzir os números, reduzir o número de travessias [de imigrantes] (…) E elas caíram significativamente. Estão agora no nível mais baixo em sete anos", declarou o premiê.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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