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Assédio e sobrecarga ameaçam saúde mental de jornalistas, diz pesquisa

Por Ivan Marra
Atualizado em 14/09/2026 às 22:30 schedule 3 min de leitura visibility 27 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) aponta que as condições e as características do trabalho jornalístico, somadas ao assédio constante e ao baixo apoio social, expõem os profissionais de imprensa do Brasil a uma série de potenciais problemas de saúde mental. O estudo Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil foi produzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro) com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Os dados foram apresentados durante reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional pelas pesquisadoras responsáveis, Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze. Quase metade (48%) dos 257 jornalistas brasileiros recrutados por amostragem para responder a um questionário online afirmou sofrer com sintomas de insônia. O percentual é superior à média nacional registrada no relatório Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil) 2006-2024, do Ministério da Saúde, que fica entre 28,7% (em Natal) e 38% (em Maceió).

Trinta e seis por cento dos entrevistados relataram episódios típicos de ansiedade, enquanto metade (50%) disse enfrentar quadro de depressão. Desses últimos, 9% elencaram sintomas de depressão severa e 16%, extremamente severa. Além disso, 21,5% dos que responderam ao questionário revelaram consumir bebidas alcoólicas em padrões que sugerem uso de risco (18,7%) ou nocivo (1,6%), e as respostas de 1,2% indicam provável dependência.

Os profissionais também são alvo constante de diferentes formas de assédio, principalmente moral. Ao menos 26% reportaram já ter sido alvo de assédio moral no ambiente de trabalho — percentual que pode atingir 37% quando aplicados outros critérios de pesquisa. As autoras classificam esses índices, somados ao cyberbullying (30%), como um dos achados mais críticos do estudo. “Esses percentuais elevados indicam que uma parcela substancial dos jornalistas brasileiros está exposta a formas de violência psicossocial, tanto no ambiente físico quanto no digital”, sustentam.

Um agravante é que 61% dos entrevistados afirmam receber baixo apoio social, definido como os níveis de interação social no trabalho, tanto com colegas quanto com superiores. Segundo as pesquisadoras, esse fator, junto com o baixo controle sobre as atividades executadas sob pressão, pode gerar consequências negativas à saúde ou agravá-las. Para a presidenta da Fenaj, Samira de Castro Cunha, os dados evidenciam um cenário marcado por altas taxas de estresse, ansiedade, depressão, insônia, assédio moral e violência digital. “Esses elementos não apenas afetam a saúde dos profissionais, mas também impactam a qualidade da informação produzida e, consequentemente, o próprio direito da sociedade à informação”, afirmou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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