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Ascensão de Cury e posição antissistema de Renan Santos isolam ex-governadores

Por Ivan Marra
Atualizado em 13/09/2026 às 15:05 schedule 3 min de leitura visibility 45 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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As campanhas à Presidência de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) enfrentam um duplo obstáculo nesta fase da corrida eleitoral: além dos baixos índices de intenção de voto, precisam lidar com o destaque alcançado por Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). Nas últimas semanas, o desempenho de Cury nas pesquisas isolou cada vez mais os ex-governadores de Minas Gerais e de Goiás, enquanto o acirramento da posição antissistema de Renan Santos, com a controvérsia sobre a suspensão de sua candidatura, contribuiu para esse distanciamento.

Pesquisa PoderData divulgada na quinta-feira (10) retrata o cenário. No levantamento, Caiado aparece com 2% das intenções de voto e Zema tem apenas 1%. Augusto Cury chega a 10%, seguido por Renan Santos, com 3%. Na sondagem anterior do instituto, em 3 de setembro, o candidato do Avante foi o primeiro a ultrapassar os dois dígitos em uma pesquisa para presidente nas eleições de 2026, além de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em 27 de agosto, Cury estava com apenas 4%.

Para o analista político Deividi Lira, o crescimento repentino de Cury combina fatores. O eleitor estaria exausto com a polarização entre Lula e Bolsonaro e buscaria alternativas a essa narrativa. Além disso, segundo Lira, Cury fala o que o eleitorado quer ouvir. "Ele fala sobre as dores e desejos do eleitorado, se mostra preocupado com a saúde e, em especial, com a saúde mental da população", afirma. O analista acrescenta que o escritor já construiu, ao longo de décadas, uma audiência como autor e palestrante, o que lhe garante presença digital superior à de outros políticos, e que os debates televisionados ajudaram o público a associar o escritor conhecido ao candidato.

Já o crescimento de Renan Santos, na avaliação de Felipe Alves, sócio da consultoria Idealis Comunicação, deve-se ao discurso antissistema. "Renan se posiciona contra tudo e contra todos, como 'o justiceiro'. Ele traz consigo o voto de protesto, onde as pessoas que não se veem representadas pelos políticos tradicionais apostam nos chamados outsiders da política", diz. O especialista cita o desempenho de Pablo Marçal como exemplo do fenômeno e pondera que o voto consciente e o voto útil tendem a concentrar, no fim da campanha, boa parte desse eleitorado em torno de quem lidera a corrida.

Enquanto isso, Zema e Caiado enfrentam a dificuldade de converter o histórico de gestão à frente de seus estados em intenção de voto nacional. "Caiado e Zema apresentam um currículo de gestão dos seus estados, só que não conseguem vender isso para o eleitor e por isso ficam patinando nas pesquisas. Eles precisam transformar essa experiência à frente dos governos de Goiás e Minas Gerais em algo factível e passível de ser proposto para todo o Brasil", afirma Lira. Na leitura do analista, o desafio não é a falta de experiência administrativa, mas a dificuldade de convertê-la em discurso nacional em um cenário cada vez mais disputado por outsiders.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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