As jaulas para imigrantes presos descobertas na 'Alcatraz dos Jacarés' na Flórida
Relatório aponta jaulas e falhas sanitárias em centro de imigrantes na Flórida
Imigrantes detidos na unidade conhecida como "Alcatraz dos Jacarés", na Flórida, chegaram a passar horas confinados em pequenas jaulas de metal, segundo relatório divulgado na sexta-feira (11/9) pelo órgão de fiscalização do Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos. O centro de detenção está atualmente fechado.
O escritório do inspetor-geral, órgão interno e independente de fiscalização do DHS, concluiu que o uso das jaulas ao ar livre, com cerca de 1,67 m², era "sem precedentes entre centros de detenção" e colocava os imigrantes em risco. Os investigadores também constataram que a unidade descumpria normas de higiene, atendimento médico, alimentação, saúde e segurança.
Segundo o relatório, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, 79 imigrantes foram colocados nos pequenos compartimentos de metal, descritos como "áreas para se acalmar", destinadas a pessoas que precisassem "se acalmar e ficar algum tempo sozinhas". Os detidos permaneceram nesses espaços por períodos que variaram de alguns minutos a quase duas horas e, em pelo menos uma ocasião, a medida foi usada como punição disciplinar. "O uso de espaços tão restritivos é altamente incomum e não está de acordo com os padrões de tratamento humanitário", afirmou o relatório.
Os inspetores relataram ainda que os chuveiros usados pelos imigrantes estavam infestados de pequenos insetos e que os banhos eram permitidos apenas três vezes por semana. De acordo com o documento, a unidade não oferecia espaço suficiente para os detidos, "criando condições apertadas para pessoas que passavam a maior parte do tempo nos alojamentos". Imigrantes ouvidos pelo órgão de fiscalização disseram que não tinham acesso a água potável limpa nem podiam lavar os copos de plástico que usavam para beber.
Na resposta incluída no relatório, autoridades do DHS afirmaram que a Flórida, e não o governo federal, tinha a responsabilidade pelas atividades diárias do centro. A unidade foi criada pelo Estado da Flórida por meio de uma ordem executiva assinada pelo governador Ron DeSantis, mas os custos de funcionamento eram pagos pelo governo federal. Em junho de 2026, DeSantis afirmou que o centro seria fechado, já que havia sido criado para funcionar apenas temporariamente.
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