A linha do tempo da crise que abala o STF (com Vorcaro como estopim)
Crise no STF: entenda a linha do tempo do embate entre Moraes e Mendonça
A primeira semana de setembro é marcada por uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), colocando os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em lados opostos e atingindo também a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). O estopim foi a revelação de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número de telefone atribuído a Moraes. O presidente da corte, Edson Fachin, tenta arbitrar a disputa, que especialistas avaliam ter desdobramentos imprevisíveis.
Na terça-feira (01/09), um relatório da PF com conversas encontradas no celular de Vorcaro teve o sigilo retirado por decisão de Mendonça, relator do caso Master no STF. Segundo investigadores, as mensagens indicam que Moraes e Vorcaro conversaram antecipadamente sobre uma operação que poderia afetar o banqueiro. Vorcaro também teria pedido ao ministro que interferisse em seu favor junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Investigações apontam ainda que Moraes teria feito ajustes na minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.
No mesmo dia, Gonet pediu a Mendonça que declarasse nula a decisão que levou a PF a produzir o relatório. Para o PGR, a investigação determinada por Mendonça extrapolou os limites da atuação de um magistrado, já que um ministro do STF não pode determinar a investigação de outro integrante da Corte. Na quarta-feira (02/09), Fachin afirmou que anunciaria em breve medidas sobre o caso. Juristas se dividem: enquanto Thiago Bottino, da FGV Direito Rio, avalia que Fachin atua como árbitro, o constitucionalista Joaquim Falcão considera a reação tímida e defende que o caso seja julgado de forma aberta.
Mendonça também confirmou que se reuniu com Vorcaro em março de 2025, em São Paulo, a pedido do banqueiro. Em nota, afirmou que o encontro foi único e tratou da suspensão de uma tutela provisória de interesse do banco. A crise ganhou novos capítulos na semana seguinte: na terça-feira (08/09), Mendonça afastou preventivamente o diretor da PF, Andrei Rodrigues, por suposta conduta ilegal na produção de relatórios usados por Moraes. Um dia depois, Flávio Dino determinou a reintegração de Rodrigues ao cargo. Os detalhes completos sobre o resultado das investigações e eventuais medidas disciplinares não constam no material disponível.
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