Votos do Nordeste demoram mais para chegar ao TSE? Tudo sobre a apuração
A apuração dos votos no Brasil não segue um ritmo uniforme entre as regiões. Historicamente, estados e municípios do Sul e do Sudeste entregam os resultados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes das demais áreas do país, o que faz com que candidatos com maior votação nessas regiões apareçam na liderança nas primeiras horas da contagem.
Segundo especialistas, a explicação está na transmissão desordenada dos dados. O processo é dividido em três fases: a apuração, quando as urnas emitem o Boletim de Urna; a transmissão, quando esse boletim é gravado em mídia física e levado ao cartório eleitoral; e a totalização, quando o TSE soma tudo e divulga. O gargalo está na transmissão. Seções do Nordeste e do Norte enfrentam desafios logísticos, com trechos de até 50 ou 60 quilômetros até o ponto de envio, trajetos por barco e locais remotos. Falhas técnicas na cópia de segurança do boletim também atrasam o envio.
O fenômeno já produziu viradas marcantes. Em 2014, o então senador Aécio Neves (PSDB) liderava com quase 90% das urnas apuradas, até que a entrada dos votos do Nordeste levou Dilma Rousseff (PT) à frente por volta das 19h32. Em 2022, a troca de posições entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ocorreu pouco depois das 18h40, com 67,6% das urnas apuradas. Em 2018, Fernando Haddad (PT) chegou a liderar por dez minutos antes de ser ultrapassado por Bolsonaro.
Por isso, a porcentagem inicial de votos de um candidato não indica o resultado final. Os votos do Distrito Federal tendem a chegar primeiro ao TSE. A expectativa é de que o nome do próximo presidente seja conhecido no domingo até 20h30.
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