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'Trend' dos anos 80 no ChatGPT: o que você está entregando de graça para a IA e como se proteger

Por Ivan Marra
Atualizado em 12/10/2026 às 14:35 schedule 3 min de leitura visibility 9 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A febre de transformar selfies em retratos com estética dos anos 80 tomou conta do Instagram, do TikTok e do X. Criadas a partir de comandos no gerador de imagens do ChatGPT, que pedem ao usuário o envio de fotos próprias, as imagens são convincentes e fáceis de compartilhar — o que ajudou a tendência a se espalhar rapidamente. Por trás da nostalgia, porém, especialistas alertam que os usuários podem estar entregando muito mais do que imaginam.

Segundo Catarina Doria, especialista em ética da IA, essas modas virais atraem novos usuários e os incentivam a compartilhar dados pessoais. Ela descreve o fenômeno como "fun for data" — diversão por dados, em tradução livre —, a troca de informações pessoais por entretenimento, muitas vezes sem que as pessoas considerem plenamente as implicações dessa escolha. A tendência dos anos 80 é apenas a mais recente de uma série de modas impulsionadas por IA, que já incluiu retratos personalizados da infância e versões de usuários como personagens de fantasia.

Carissa Véliz, professora associada de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford, no Reino Unido, reforça o alerta. "Ao enviar fotos para uma IA, você está compartilhando alguns dos dados mais sensíveis que possui", afirma. Segundo ela, as imagens podem conter metadados como localização e também fornecem dados biométricos. Informações biométricas, como características faciais, são especialmente sensíveis porque não podem ser facilmente alteradas caso sejam comprometidas. "Você pode trocar sua senha se ela for roubada. Mas não pode trocar de rosto", diz.

Doria observa que os riscos podem ser maiores do que os associados a redes sociais ou aplicativos de namoro, porque os usuários costumam enviar várias imagens de alta qualidade, feitas justamente para mostrar seus rostos com clareza. A isso se somam informações pessoais detalhadas compartilhadas com chatbots ao longo de conversas sobre trabalho, relacionamentos e interesses. Combinados, esses dados podem contribuir para a criação de perfis cada vez mais precisos dos usuários, usados para publicidade direcionada.

Especialistas em privacidade afirmam que o mais importante não é deixar de usar a IA, mas usá-la com cautela. Entre as recomendações estão evitar publicar fotos de crianças, já que elas não podem consentir de forma informada; preferir imagens de resolução mais baixa, que revelam menos detalhes biométricos; escolher plataformas consolidadas, com políticas de privacidade mais claras; revisar as configurações de privacidade para impedir o uso do conteúdo no treinamento de modelos; e desativar recursos de memória desnecessários. "Privacidade é poder, porque protege as pessoas contra possíveis abusos", afirma Véliz.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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