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Soldados da Ucrânia avançam por tubos de gás subterrâneos para cercar russos

Por Ivan Marra
Atualizado em 02/11/2026 às 08:05 schedule 3 min de leitura visibility 11 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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As forças armadas da Ucrânia concluíram na última semana uma operação subterrânea na região de Kupiansk, no leste do país, utilizando gasodutos desativados enterrados a quatro metros de profundidade. As tropas avançaram 15 quilômetros por dentro das tubulações para surpreender o inimigo. A ação resultou na prisão de 30 soldados russos e na eliminação de outros 100 que usavam a mesma rede para infiltração.

Em um cenário dominado por drones que vigiam cada movimento na superfície, qualquer deslocamento a céu aberto tornou-se extremamente arriscado. Para evitar ataques aéreos, os militares adaptaram estruturas civis desativadas como corredores logísticos. Os canos de aço têm cerca de 1,2 metro de diâmetro e 1,5 centímetro de espessura, protegidos por uma densa camada de terra. Os soldados não conseguem ficar em pé e precisam se mover curvados ou em pequenos veículos elétricos, mas o ambiente oferece abrigo contra a vigilância tecnológica constante dos dois lados.

A estratégia da Operação Veles

A operação foi planejada após os ucranianos identificarem que os russos usavam a malha subterrânea para cruzar barreiras naturais, como o rio Oskil, sem exposição. Para retomar o controle, a unidade militar Khartiia estudou mapas antigos e consultou engenheiros civis. Durante a incursão, os combatentes enfrentaram os russos com metralhadoras e granadas dentro dos tubos. Quando o avanço travava, os ucranianos cortavam as paredes de aço, cavavam túneis paralelos na terra e reentravam na tubulação metros adiante, conseguindo flanquear e capturar as posições de defesa da Rússia no subsolo.

Bloqueio em vez de destruição

A destruição total da rede por meio de explosivos se mostrou praticamente impossível devido à alta resistência das tubulações. O aço reforçado das paredes, somado à pressão da espessa camada de solo acima, torna as explosões superficiais ineficazes contra a integridade do sistema. Diante dessa limitação técnica, a tática adotada passou a ser o entupimento e o bloqueio físico das passagens. Enquanto a Ucrânia tenta selar trechos para impedir novas infiltrações, as tropas russas tentam contra-atacar perfurando externamente as paredes dos tubos para desobstruir rotas e retomar passagens.

O sucesso da incursão em Kupiansk motivou o comando ucraniano a avaliar a construção de uma rede de túneis planejada para conectar postos de observação, depósitos de suprimentos e unidades de apoio. Atualmente, parte da logística e da produção militar ucraniana já foi transferida para locais protegidos abaixo da superfície. Especialistas apontam que a experiência com os gasodutos industriais pode deixar de ser apenas um uso oportunista de infraestrutura abandonada para se tornar uma doutrina de defesa consolidada, visando manter o abastecimento e o fluxo de tropas a salvo dos drones.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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