'Sobrevivi ao 11 de Setembro porque cheguei mais tarde ao trabalho': sobrevivente relembra os ataques
O colombiano-alemão Hans Gernot Schenk, hoje com 55 anos, trabalhava havia mais de um ano no World Trade Center, em Nova York, quando dois aviões atingiram as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Seu escritório ficava no 32º andar da Torre Norte, em uma empresa alemã de logística internacional. Naquele dia, ele chegou ao trabalho cerca de dez minutos mais tarde do que o habitual — e atribui a esse atraso o fato de ter sobrevivido.
Segundo seu relato, poucos dias antes dos ataques a empresa havia enviado um comunicado pedindo que os funcionários chegassem ao escritório, no máximo, às 9h. Schenk não havia dormido em casa na noite anterior, após sair para jantar com a pessoa com quem se relacionava na época. Para ele, esse detalhe mudou seu destino. Ao descer do metrô, caminhava por baixo das torres, a cerca de 25 metros das portas giratórias de acesso à Torre Norte, quando viu pessoas correndo em pânico na sua direção. Ao sair para a rua, avistou uma fumaça preta e não compreendeu de imediato a dimensão do que ocorria.
Ele não viu o segundo avião se chocar, mas foi surpreendido pela explosão que veio do outro lado do edifício. Uma nuvem negra e vermelha se formou, e papéis e objetos começaram a voar. Sua reação imediata foi proteger a cabeça e correr. Entrou por uma escadaria próxima a uma estação de metrô sob as torres, desceu em alta velocidade e saltou a catraca. Na plataforma, encontrou apenas uma senhora, a quem disse para não sair à rua porque havia bombas. Mais adiante, na Canal Street, viu duas jovens chorando, que lhe disseram que aviões comerciais de passageiros haviam atingido as Torres Gêmeas. Diante da informação, voltou às plataformas e seguiu para casa.
Em casa, assistiu pela televisão ao desabamento das duas torres. A rede telefônica estava fora do ar e ele não conseguiu se comunicar com os colegas de escritório. Schenk conta que perdeu amigos nos ataques e que alguns de seus sonhos "literalmente desabaram" naquele dia. Ele ainda conserva objetos que faziam parte de sua rotina em 2001, como uma pequena chave de bronze, um cartão de acesso eletrônico e um celular Nokia. A cada ano, em 11 de setembro, a pessoa com quem se relacionava na época lhe envia uma mensagem, lembrando que foi o jantar daquela noite que o fez chegar mais tarde ao trabalho.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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