Vorcaro tinha grupo de WhatsApp com servidores do Banco Central para pedir orientação, diz PF
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mantinha um canal de aconselhamento com dois servidores que ocupavam postos de comando na supervisão bancária do Banco Central, segundo representação da Polícia Federal enviada ao Supremo Tribunal Federal. Os documentos da investigação foram tornados públicos na quinta-feira, 10/09, depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de procedimentos relacionados ao Banco Master na corte.
Os investigadores afirmam que Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana defendiam interesses do Banco Master dentro da autarquia e recebiam vantagens em contrapartida. Paulo Sérgio era chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) e Belline ocupava a chefia do departamento. A PF ressalta que a unidade estava vinculada à Diretoria de Fiscalização e tinha atuação direta em processos de interesse de Vorcaro. Na avaliação dos investigadores, os servidores se comportavam, em diversas ocasiões, como "empregados" do banqueiro, embora devessem fiscalizar sua instituição.
Essa proximidade aparece em um grupo de WhatsApp chamado "Master", integrado por Vorcaro e pelos dois servidores, segundo o documento. De acordo com a PF, Belline criou o grupo em 2 de outubro de 2025. A atuação descrita incluía preparar o banqueiro para reuniões, revisar documentos e articular respostas a dificuldades enfrentadas pelo conglomerado. Em 27 de outubro de 2025, Vorcaro compartilhou no grupo um arquivo intitulado "Ofício Banco Master ao Desup — atualização das ações" e escreveu: "Segue minuta para avaliação". O destinatário do ofício era o departamento dirigido pelos próprios interlocutores.
Para a PF, a relação com os servidores teria uma contrapartida financeira dissimulada por empresas e contratos. No caso de Belline, a representação descreve uma proposta de trabalho articulada por Vorcaro e por seu cunhado Fabiano Zettel, mas assinada por Leonardo Augusto Furtado Palhares, por meio de uma empresa de consultoria. A PF diz que um controle de "despesas fixas mensais" compartilhado entre Zettel e Vorcaro incluía o pagamento de R$ 500 mil semestrais para Belline. O servidor negou saber que o Master pudesse ser responsável pelos pagamentos. Os investigadores sustentam que a contratação era fictícia e servia para remunerar Belline por sua atuação em favor do banco.
No caso de Paulo Sérgio, um dos negócios analisados é a venda de um imóvel rural que pertencia a ele e ao irmão. Segundo a PF, Zettel enviou a Vorcaro, em 15 de janeiro de 2020, uma minuta de compra e venda por R$ 4,8 milhões. A propriedade foi transferida em 6 de outubro de 2021 à Pipe Participações, empresa cujo sócio era Zettel. Paulo Sérgio deu outra explicação ao Banco Central: disse que recebeu, em 2019, uma proposta de R$ 4,5 milhões pelo terreno e que só soube do parentesco com Vorcaro na escrituração, em 2021.
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