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Quem é quem nas mensagens que desencadearam a maior crise da história do STF

Atualizado em 11/09/2026 às 16:05 schedule 3 min de leitura visibility 10 visualizações share 0 compartilhamentos (1)
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As mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mergulharam o Supremo Tribunal Federal (STF) em sua crise mais grave. Preso em novembro de 2025 e investigado por suspeita de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões, Vorcaro aparece em conversas com um contato salvo com variações do nome do ministro Alexandre de Moraes — como "Alexandre de Moraes BRASÍLIA", "Novo", "STF TSE NOVO" e "Eu STF".

Segundo o relatório da Polícia Federal, as mensagens foram enviadas por recurso de visualização única, o que impede saber se Moraes respondeu ou o que teria dito. O contato entre os dois aparece em episódios espaçados ao longo de dois anos. Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro escreveu ao número atribuído a Moraes pedindo que fosse reforçado com Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, para "não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem". Na mesma mensagem, enviou os nomes de quatro delegados e três procuradores envolvidos nas apurações preliminares contra o banco.

Nas conversas, Vorcaro cobra da equipe do banco que o pagamento ao escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, nunca atrase. O contrato, da ordem de R$ 131 milhões, não teve seu conteúdo divulgado no inquérito. O ex-controlador também autoriza a emissão de cartões de crédito para os filhos do ministro, no limite de R$ 300 mil cada. Em novembro de 2025, às vésperas da prisão, ele intensificou os apelos: perguntou se "segunda já tenho que estar fora" e se "com Andrei dá pra segurar".

O relatório da PF não localizou contato salvo no celular de Vorcaro com o nome de Paulo Gonet. A polícia identifica apenas referências indiretas em conversas com o advogado do Master, Ciro Soares, que teria intermediado o contato entre o banqueiro e o procurador-geral em 2025. Entre os indícios estão uma selfie de Ciro ao lado de Gonet, um pedido para custear a viagem do filho de Gonet, identificado como Pedro Gonet, a um evento em Londres, e mensagens que Ciro atribui a Gonet, como "Gonet é firme". O relatório não confirma que "PG" seja Gonet, mas outras menções reforçam essa leitura.

Após a divulgação das mensagens, o ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o Master, pediu que o plenário do STF decida sobre a abertura de investigação contra Moraes — algo inédito na Corte. Moraes reagiu pedindo ao presidente do STF, Edson Fachin, autorização para investigar Mendonça por improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Fachin convocou sessão do plenário para a próxima terça-feira (15/9). Na terça (8/9), Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da PF; no dia seguinte, Flávio Dino reconduziu Andrei ao cargo. Fachin também retirou Moraes da relatoria do inquérito das Fake News e assumiu o caso.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

Leia a seguir Politica Inquérito das Fake News: a linha do tempo da investigação que saiu das mãos de Moraes por decisão de Fachin Inquérito foi aberto em 2019 e tem um longo histórico de decisões polêmicas. Continuar leitura arrow_forward

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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