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Setembro Amarelo reforça a importância da escuta e do cuidado com a saúde mental

Por Ivan Marra
Atualizado em 03/09/2026 às 21:01 schedule 5 min de leitura visibility 35 visualizações share 3 compartilhamentos (0)
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Durante o mês de setembro, monumentos, instituições e espaços públicos recebem a cor amarela para lembrar uma mensagem que precisa ser reforçada durante todo o ano: falar sobre saúde mental com responsabilidade pode ajudar a salvar vidas.

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção da automutilação e do suicídio. Desde 2025, a mobilização passou a ser oficialmente reconhecida em todo o território brasileiro pela Lei nº 15.199. A legislação também instituiu o dia 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e o dia 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.

Neste ano, a campanha ganha ainda mais relevância ao reforçar o tema internacional “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, adotado pela Organização Mundial da Saúde para o período de 2024 a 2026. A proposta é substituir o silêncio, o preconceito e a desinformação por diálogo, empatia e acesso ao cuidado.

O sofrimento nem sempre é visível

O suicídio é um fenômeno complexo e pode estar relacionado a diferentes fatores psicológicos, sociais, econômicos, familiares e de saúde. Por esse motivo, não deve ser explicado por uma única causa, nem associado à fraqueza, falta de fé ou ausência de vontade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. A entidade ressalta que medidas de prevenção podem ser adotadas por governos, serviços de saúde, escolas, empresas, famílias, comunidades e meios de comunicação.

Nem sempre quem atravessa uma crise emocional consegue pedir ajuda de maneira direta. Algumas mudanças de comportamento podem indicar sofrimento e merecem atenção, especialmente quando surgem ao mesmo tempo, tornam-se frequentes ou se intensificam.

Entre os possíveis sinais de alerta estão:

* isolamento de familiares, amigos e atividades sociais;
* perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas;
* tristeza persistente, ansiedade intensa ou irritabilidade;
* alterações importantes no sono, na alimentação ou nos cuidados pessoais;
* aumento do consumo de álcool ou de outras drogas;
* sensação de inutilidade, culpa, desamparo ou falta de esperança;
* falas sobre desaparecer, não ter motivos para viver ou ser um peso para outras pessoas;
* despedidas incomuns, distribuição de objetos pessoais ou organização repentina de assuntos pendentes.

Esses comportamentos não confirmam, isoladamente, que uma pessoa esteja em risco. Entretanto, não devem ser ignorados. Diante de uma mudança preocupante, a aproximação cuidadosa pode fazer diferença.

Como oferecer apoio

A primeira atitude é demonstrar disponibilidade para ouvir. A conversa deve acontecer com respeito, privacidade e sem julgamentos.

Frases como “isso é falta de força”, “há pessoas em situação pior” ou “você precisa reagir” podem aumentar a culpa e fazer com que a pessoa se feche. O acolhimento não exige respostas prontas. Muitas vezes, escutar com atenção e reconhecer a dor já representa um passo importante.

Também é recomendado perguntar, de forma clara e cuidadosa, como a pessoa está se sentindo. Falar diretamente sobre suicídio não incentiva o ato. Quando a abordagem é responsável, a conversa pode abrir espaço para que o sofrimento seja compartilhado e para que a ajuda adequada seja procurada.

Além de ouvir, é importante incentivar o acompanhamento de profissionais da saúde. Se houver risco imediato, a pessoa não deve permanecer sozinha. Familiares ou pessoas de confiança devem ser acionados e o acesso a meios que possam provocar ferimentos deve ser reduzido, sempre priorizando a segurança.

Onde procurar ajuda

A rede pública de saúde oferece atendimento por meio das Unidades Básicas de Saúde e dos Centros de Atenção Psicossocial — CAPS. Em situações de urgência ou risco imediato, a orientação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento, pronto-socorro ou hospital, ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192.

O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, todos os dias e sem custo de ligação. O atendimento por chat e e-mail pode ser acessado pelo site cvv.org.br.

O CVV realiza acolhimento emocional, mas não substitui atendimento médico, psicológico ou psiquiátrico.

O cuidado precisa continuar depois de setembro

A prevenção não se limita a uma cor ou a um único mês. Ela depende da construção de ambientes nos quais as pessoas possam falar sobre sofrimento sem medo de julgamento e tenham acesso a acompanhamento qualificado.

Perguntar com sinceridade, ouvir com atenção, manter contato e ajudar na procura por atendimento são atitudes que fortalecem a rede de proteção.

Durante o Setembro Amarelo — e ao longo de todo o ano — a mensagem permanece: reconhecer o sofrimento, acolher e buscar ajuda são demonstrações de cuidado. Ninguém precisa enfrentar uma crise sozinho.

Precisa de ajuda ou conhece alguém que esteja em sofrimento?

* CVV: telefone 188, gratuito e disponível 24 horas;
* SUS: Unidade Básica de Saúde ou CAPS;
* Emergência: SAMU 192, UPA, pronto-socorro ou hospital.

Fontes: Ministério da Saúde — Prevenção do Suicídio, Organização Mundial da Saúde, Centro de Valorização da Vida e Lei Federal nº 15.199/2025.

Esta matéria foi produzida pela redação do portal, com apuração e tratamento editorial próprios.

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