Ministro André Mendonça pede o afastamento do ministro Alexandre de Morais
Data: 3 de setembro de 2026.
Autor do pedido: Ministro André Mendonça.
Destinatário: Presidente do STF, Edson Fachin.
Motivo imediato: Alexandre de Moraes havia solicitado investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news (Inquérito 4.781), alegando abuso de autoridade e favorecimento político.
Acusações de Alexandre de Moraes
Moraes encaminhou à Presidência do STF relatório da Polícia Federal que apontava:
Improbidade administrativa.
Abuso de autoridade.
Crime de responsabilidade.
Favorecimento a grupos políticos.
O relatório citava suposta condução irregular de investigações por Mendonça, incluindo delações premiadas e direcionamento de alvos.
Reação de André Mendonça
Mendonça reagiu pedindo o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes.
Argumentou que Moraes teria mantido relações impróprias com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Documentos da PF revelaram mensagens e contratos envolvendo Vorcaro e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Mendonça alegou que tais fatos comprometem a imparcialidade de Moraes e justificam seu afastamento.
Elementos Centrais da Crise
Banco Master: contrato de R$ 131 milhões com o escritório da esposa de Moraes.
Mensagens de Vorcaro: indicavam proximidade com Moraes e pedidos de reuniões antes de sua prisão.
Relatórios da PF: apontaram que Mendonça teria determinado ações sem autorização específica contra Moraes, ampliando a crise institucional no STF.
Situação Atual
O pedido de afastamento ainda depende de análise do presidente do STF, Edson Fachin.
A crise expôs um conflito aberto entre dois ministros da Suprema Corte, com acusações mútuas de irregularidades.
O caso segue em tramitação no âmbito do inquérito das fake news, e poderá ter desdobramentos políticos e jurídicos relevantes.
linha do tempo caso Mendonca Moraes
A crise entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes no STF ganhou força em setembro de 2026, após Mendonça pedir o afastamento cautelar de Moraes. O caso envolve relatórios da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e contratos com o Banco Master, além de acusações mútuas de abuso de autoridade e favorecimento político.
📅 Linha do Tempo do Caso Mendonça x Moraes
🔹 Dezembro de 2023 – Janeiro de 2024
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, organiza recepção em Campos do Jordão.
Escritório da esposa de Moraes, Barci de Moraes, fecha contrato de R$ 131 milhões com o banco.
🔹 Outubro – Novembro de 2025
Vorcaro envia nomes de delegados e procuradores a contato identificado como Moraes.
Pede intermediação para encontro com o presidente do Banco Central.
É preso em novembro, e o Banco Central liquida o Master.
🔹 Agosto de 2026
André Mendonça assume a relatoria do caso Master no STF.
Solicita à Polícia Federal relatório sobre suposta rede de influência de Vorcaro.
🔹 27 de Agosto de 2026
PF entrega relatório com mensagens de Vorcaro citando Moraes, PGR Paulo Gonet e o diretor da PF Andrei Rodrigues.
🔹 1º de Setembro de 2026
Mendonça retira sigilo da petição com 218 páginas de mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
🔹 3 de Setembro de 2026
Moraes usa o inquérito das fake news para pedir investigação contra Mendonça.
Mendonça reage pedindo o afastamento cautelar de Moraes, alegando conflito de interesse.
Presidente do STF, Edson Fachin, dá prazo de 5 dias para Moraes, Mendonça, PGR e PF prestarem informações.
⚖️ Situação Atual
Fachin ainda avalia os pedidos e relatórios.
O caso expôs divisão interna no STF, com ministros discutindo validade das provas e procedimentos adotados.
🔍 Conclusão
A linha do tempo mostra que o conflito se intensificou a partir da divulgação das mensagens de Vorcaro e culminou em pedidos de investigação e afastamento dentro do STF. O desfecho dependerá da análise do presidente Edson Fachin e da posição do plenário da Corte.
O pedido de Mendonça ocorre em meio ao Inquérito 4.781, aberto em 2019 para apurar a divulgação de notícias falsas e ameaças contra ministros do STF. Moraes é o relator do caso desde sua origem, o que, na avaliação de Mendonça, criaria conflito de interesses para analisar condutas que envolvem o próprio relator.
O plenário do STF poderá ser chamado a decidir sobre o afastamento caso Fachin entenda que a questão ultrapassa decisão individual da presidência. A Corte enfrenta um cenário inédito de dois ministros investigando-se mutuamente, com a PGR e a PF também envolvidas na apuração dos fatos relatados.
O pedido de Mendonça fundamenta-se no artigo 44 do Regimento Interno do STF, que prevê o impedimento de ministro em casos que possam comprometer sua imparcialidade. A defesa de Mendonça sustenta que a relação de Moraes com Vorcaro, revelada nas mensagens, violaria os princípios da impessoalidade e moralidade administrativa previstos na Constituição.
Especialistas em direito constitucional apontam que a decisão de Fachin poderá estabelecer precedente sobre os limites da atuação de relatores em inquéritos que envolvam colegas da própria Corte. A tramitação do caso ocorre em paralelo à análise de recursos que questionam a legalidade do Inquérito 4.781 no plenário virtual.
Em manifestação anterior nos autos, Moraes negou qualquer relação imprópria com Vorcaro e classificou as alegações como tentativa de desviar o foco das apurações sobre supostas irregularidades atribuídas a Mendonça. O ministro também afirmou que os contratos citados envolvem escritório de advocacia independente e não têm relação com sua atuação no STF.
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