Senado articula projeto de reforma profunda para limitar poderes do STF
Um grupo de senadores eleitos e reeleitos pretende avançar, a partir de 2027, com propostas de emenda à Constituição para reformar o Judiciário brasileiro. A bancada deve reunir cerca de 45 parlamentares e tem como foco a limitação de mandatos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o fim das decisões individuais. Segundo os articuladores, a iniciativa busca responder à crise institucional da Corte e reequilibrar a relação entre os Poderes da República.
O conjunto de mudanças no STF se concentra em três pilares. O primeiro é a criação de mandatos com tempo determinado para os ministros — a proposta sugere mandatos fixos de 12 anos. Hoje, um ministro é indicado a partir dos 35 anos e pode permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75. O segundo pilar é a elevação da idade mínima para ingresso na Corte, possivelmente para 55 anos. O terceiro prevê o fim das decisões monocráticas: os senadores querem proibir que um único magistrado tome decisões urgentes que suspendam leis ou atos dos outros Poderes sem que o colegiado de 11 ministros analise o caso imediatamente.
No sistema de indicações, uma das propostas em discussão prevê a divisão das cadeiras do STF entre diferentes órgãos: parte das escolhas viria do Poder Executivo, parte da Câmara dos Deputados, parte do Senado e outra do próprio Supremo. Outra sugestão é a criação de listas de candidatos tecnicamente qualificados, elaboradas com a participação de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, o Ministério Público e universidades. O objetivo declarado é basear as escolhas em critérios objetivos de experiência e produção jurídica, reduzindo vínculos políticos.
A ampliação da idade mínima é vista pelos parlamentares como uma forma natural de limitar o tempo de permanência no cargo. Como a aposentadoria é obrigatória aos 75 anos, entrar mais tarde reduz o período de influência sobre o pensamento jurídico do país. Os defensores da mudança argumentam que mandatos excessivamente longos podem levar a abusos de autoridade e ao engessamento da Justiça, e que uma trajetória profissional mais consolidada contribui para a independência do magistrado.
Além das mudanças na lei, há um esforço para implementar um Código de Ética rigoroso para os ministros, com obrigação de transparência total sobre quem financia viagens e eventos e sobre quais pessoas são recebidas nos gabinetes. O ministro não seria proibido de participar de eventos, mas teria de informar publicamente quem custeou as despesas e quem esteve presente. A medida visa evitar que relações pessoais ou pressões externas influenciem as decisões da maior instância da Justiça brasileira. As propostas dependem da aprovação de emendas constitucionais no Congresso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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