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Retaliação do Canadá às tarifas americanas testa os limites do poder de Trump

Por Ivan Marra
Atualizado em 27/08/2026 às 22:05 schedule 2 min de leitura visibility 58 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O governo do Canadá interrompeu abruptamente as negociações comerciais com os Estados Unidos no fim de semana, em meio a um acirramento da disputa tarifária entre os dois países. A decisão veio acompanhada de uma nova rodada de tarifas de importação, elevando a tensão em uma relação bilateral que movimenta mais de US$ 872 bilhões (cerca de R$ 4,5 trilhões) por ano.

O episódio expõe os limites da estratégia do presidente americano, Donald Trump, de usar o peso econômico dos Estados Unidos para impor sua vontade a aliados e adversários. Diferentemente de outros parceiros que recuaram diante das pressões americanas, o Canadá sinaliza disposição para retaliar. Medidas futuras podem incluir restrições ao acesso americano a energia e minerais críticos canadenses, além de boicotes de consumidores a produtos dos Estados Unidos.

As divergências não são novas. Elas remontam ao primeiro mandato de Trump e às negociações que resultaram no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que substituiu o Nafta. O presidente americano já se referiu ao Canadá como o "51º Estado" e ao então primeiro-ministro Justin Trudeau como "governador". A visão de Trump posiciona os Estados Unidos como potência hemisférica, com segurança econômica e nacional tratadas de forma indissociável.

O clima piorou após a divulgação de uma gravação vazada em que o vice-presidente americano, J.D. Vance, chamou a estratégia do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de "hilária", afirmando que os canadenses "recuam em muitas questões". Os comentários tiveram ampla repercussão no Canadá e não ajudaram nas negociações.

As novas tarifas canadenses entram em vigor em duas semanas, enquanto a retaliação americana mais significativa — uma tarifa de 50% sobre veículos e peças automotivas canadenses — está prevista para começar apenas no início de 2027. Esse intervalo oferece uma janela para retomada do diálogo. O Canadá aposta que o temor de derrota republicana nas eleições de meio de mandato, em novembro, em estados industriais como Michigan e Ohio, possa levar Trump a ceder antes da votação.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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