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Por que a Uefa se prepara para processar criminalmente presidente da Fifa, Gianni Infantino

Por Ivan Marra
Atualizado em 27/08/2026 às 22:20 schedule 3 min de leitura visibility 60 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uefa prepara ação criminal contra presidente da Fifa, Gianni Infantino

A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) está preparando uma ação criminal contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, por causa do plano, já abandonado, de vender participações nas Copas do Mundo e em outras competições da entidade a investidores privados. Documentos vistos pela BBC Sport mostram que a entidade europeia apresentou um pedido para ter acesso a provas e documentos que seriam usados em um processo na Suíça contra o dirigente, acusado de "gestão criminosa". A Uefa também afirma que considera processar outros dirigentes da Fifa.

Pouco depois da Copa do Mundo deste ano, Infantino propôs a criação de uma nova empresa, a Fifa Forward Enterprise (FFE), que venderia participações nas competições da Fifa a investidores privados. O plano foi abandonado após forte reação negativa. No pedido de acesso às provas, a Uefa afirma que Infantino arquitetou o esquema com o objetivo de enriquecer a si próprio e aos possíveis investidores privados. "Na verdade, era um veículo para que Infantino e aquele pequeno círculo adquirissem uma participação permanente e, de outras formas, lucrassem com os ativos mais valiosos da Fifa, em detrimento da Fifa, de seus membros e de outras partes da família do futebol", diz o documento.

A Uefa também sustenta que a avaliação das participações que seriam vendidas não foi verificada de forma independente e que elas seriam oferecidas por um preço baixo demais, classificando a venda proposta como "um preço fraudulento, fora do mercado, promovido por Infantino para seu próprio benefício". Segundo o pedido, os investidores estariam prestes a adquirir um interesse financeiro permanente na área comercial da Fifa por US$ 4,2 bilhões, o que implicaria um valor empresarial de aproximadamente US$ 20 bilhões, número que não resultou de leilão aberto e competitivo nem foi submetido à avaliação de avaliador independente.

No pedido, a Uefa recorre a um tribunal na Flórida para tentar ter acesso a arquivos mantidos por duas empresas da Fifa — Fifa Americas e FWC2026 —, que seriam usados posteriormente para buscar as acusações penais na Suíça. A entidade afirma que suas 55 associações-membro poderiam ter sido prejudicadas pelo plano e que a estruturação, avaliação, financiamento e comercialização secretos causaram prejuízos diretos à reputação, à autoridade de governança e às relações comerciais da Fifa, em detrimento da entidade e de seus 211 membros.

Infantino ofereceu US$ 40 milhões (mais de R$ 200 milhões) às 211 associações-membro da Fifa caso apoiassem a proposta de investimento privado em seus torneios. O dirigente, que busca um quarto mandato como presidente da Fifa em março, foi acusado de quebrar a confiança "por meio de engano" em uma carta aberta emitida pela Uefa, pela Concacaf e pela Confederação Asiática de Futebol. As associações de futebol de todas as nações britânicas retiraram seu apoio a Infantino, mas ele mantém o respaldo da Conmebol e da Caf, entidade que governa o futebol africano.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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