Redistritamento eleitoral defendido por Trump teve efeito contrário e favoreceu democratas nos EUA
A estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de redesenhar distritos eleitorais para ampliar a bancada republicana na Câmara dos Deputados produziu resultados contrários aos esperados nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3). Em vários estados onde a iniciativa foi adotada, os republicanos não conquistaram as cadeiras pretendidas e ainda perderam para os democratas distritos que estavam sob seu controle.
Segundo levantamento publicado pelo portal americano Axios nesta quarta-feira (4), os republicanos esperavam conquistar até 15 cadeiras adicionais com as mudanças nos mapas eleitorais de sete estados. Os resultados projetados pela imprensa americana nessas regiões indicam, porém, que o partido deve terminar a disputa para a Câmara com até oito deputados a menos nessas áreas.
O redistritamento consiste na alteração dos limites geográficos dos distritos que elegem deputados para a Câmara americana, permitindo concentrar ou distribuir eleitores para aumentar as chances de vitória de determinado partido. Nos Estados Unidos, o processo costuma ocorrer a cada dez anos, após o censo populacional. Trump incentivou nos últimos meses governos estaduais republicanos a antecipar essas mudanças para tentar preservar a maioria de seu partido na Câmara. A estratégia levou democratas a adotarem medidas semelhantes em estados sob seu controle, o que provocou uma disputa nacional pelos mapas eleitorais.
Texas e Carolina do Norte
O Texas foi um dos principais exemplos desse resultado inesperado. Em agosto, os republicanos aprovaram um novo mapa no estado com o objetivo de conquistar até cinco cadeiras adicionais na Câmara. Nas eleições desta terça-feira, porém, os democratas conseguiram manter a maior parte das cadeiras que os republicanos pretendiam conquistar. Os deputados democratas Henry Cuellar, do 28º distrito, e Vicente Gonzalez, do 34º distrito, foram reeleitos apesar das mudanças feitas para favorecer candidatos republicanos nessas regiões. Além disso, os republicanos perderam uma cadeira que já controlavam: no 15º distrito, a deputada Monica De La Cruz foi derrotada pelo democrata Bobby Pulido.
Na Carolina do Norte, o partido alterou os limites dos distritos para tentar conquistar cadeiras democratas, mas acabou deixando outros parlamentares republicanos mais vulneráveis à derrota. O estado registrou a perda de pelo menos cinco cadeiras na Câmara, incluindo as dos deputados Richard Hudson, Tim Moore, Addison McDowell e Brad Knott. O democrata Don Davis conseguiu se reeleger no 1º distrito mesmo após os republicanos alterarem seus limites geográficos para aumentar as chances de derrotá-lo.
No Tennessee, os republicanos alteraram os limites do 4º distrito, onde tinham ampla vantagem, para distribuir parte dos eleitores republicanos entre distritos vizinhos. Análises feitas após o redistritamento, aprovado em maio, já apontavam que a vantagem republicana havia diminuído no distrito. Nos limites antigos, Trump havia vencido a eleição presidencial de 2024 com diferença de 44 pontos percentuais sobre a democrata Kamala Harris; com os novos limites, a vantagem teria sido de aproximadamente 24 pontos. Nas eleições desta terça-feira, o deputado republicano Scott DesJarlais acabou derrotado pela democrata Victoria Broderick por apenas 280 votos, segundo a projeção da imprensa dos EUA.
As mudanças também não produziram os resultados esperados na Flórida e no Alabama, onde deputados democratas venceram em distritos redesenhados para favorecer adversários republicanos. Na Califórnia, por outro lado, os democratas conquistaram cinco cadeiras republicanas após aprovarem mudanças nos distritos eleitorais em resposta à iniciativa de Trump. O resultado contribuiu para a vitória democrata na Câmara dos Deputados, que passará ao controle da oposição em janeiro de 2027.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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