Por que o corpo humano pode estar esfriando
Na década de 1860, o médico alemão Carl Wunderlich reuniu mais de um milhão de medições axilares de 25 mil pacientes ao longo de 15 anos e estabeleceu a média de 37 °C como referência para adultos saudáveis. O valor se tornou padrão universal de diagnóstico. Pesquisas mais recentes, porém, indicam que a temperatura média do corpo humano caiu ao longo do último século e meio.
Um estudo coordenado pela médica Julie Parsonnet, da Universidade Stanford, analisou dados de quase 190 mil pessoas nos Estados Unidos entre 1862 e 2017 e apontou que o novo padrão de normalidade para adultos se aproxima de 36,39 °C. Entre homens americanos, a temperatura é cerca de 0,59 °C inferior à registrada no início do século 19. A tendência também foi observada entre os Tsimané, comunidade indígena seminômade da floresta amazônica: a média, que girava em torno de 37 °C no início dos anos 2000, caiu para 36,5 °C em 2018.
Entre as explicações possíveis está a melhoria geral da saúde da população. Na época de Wunderlich, a expectativa de vida era de 38 anos, e doenças como tuberculose e disenteria eram comuns — o sistema imunológico consumia calorias para combater infecções, o que produzia calor. O controle do clima em ambientes fechados, com ar-condicionado e aquecimento central, também reduz o esforço do corpo para manter a própria temperatura. Especialistas alertam que um valor isolado não deve ser tratado como divisão rígida: variações extremas, abaixo de 35 °C ou acima de 40 °C em adultos, é que indicam algo mais sério.
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