Última Hora
• Por que o corpo humano pode estar esfriando • A Argentina veste-se com as cores do Papa, o país prepara-se para acolher Leão • As aves comedoras de crianças que moldaram nossa evolução na Idade da Pedra • A chilena obrigada a esperar que sua filha morresse no ventre: 'Você se sente como se fosse um carrasco' • Papa Leão conclui viagem ao Uruguai: “Deus deve ocupar o primeiro lugar na vida” • Futuro de refúgio de Hitler incendiado gera debate na Alemanha sobre o passado nazista • Papa Leão chega à Argentina para segunda etapa de sua Viagem Apostólica • PAPA: “não tenham medo de dizer, sou católico, eu creio em Jesus" • Por que o corpo humano pode estar esfriando • A Argentina veste-se com as cores do Papa, o país prepara-se para acolher Leão • As aves comedoras de crianças que moldaram nossa evolução na Idade da Pedra • A chilena obrigada a esperar que sua filha morresse no ventre: 'Você se sente como se fosse um carrasco' • Papa Leão conclui viagem ao Uruguai: “Deus deve ocupar o primeiro lugar na vida” • Futuro de refúgio de Hitler incendiado gera debate na Alemanha sobre o passado nazista • Papa Leão chega à Argentina para segunda etapa de sua Viagem Apostólica • PAPA: “não tenham medo de dizer, sou católico, eu creio em Jesus"
Ver Todas
Voltar para Internacional

As aves comedoras de crianças que moldaram nossa evolução na Idade da Pedra

Por Ivan Marra
Atualizado em 08/11/2026 às 18:40 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
mail

Após a extinção dos dinossauros não avianos, aves gigantes ocuparam o topo da cadeia alimentar por dezenas de milhões de anos, até a Grande Era do Gelo. Entre suas presas estavam os ancestrais dos seres humanos. O caso mais conhecido é o do "menino de Taung", um jovem Australopithecus africanus de cerca de três anos, morto há 2,8 milhões de anos na savana sul-africana. Marcas de punção em suas órbitas oculares são compatíveis com garras de águias, que caçam dessa forma e costumam armazenar parte da caça em árvores.

Com o fim dos dinossauros, o céu ficou coberto de poeira e a maioria das plantas se extinguiu. Restaram as sementes, alimento adequado para aves, e a ausência de predadores permitiu que pequenas aves terrestres evoluíssem para tamanhos enormes. Algumas eram vegetarianas, como os Dromornithidae da Austrália, aves semelhantes a patos, mas cerca de 100 vezes maiores e mais pesadas que vacas. Outras se tornaram predadores oceânicos, como o Pelagornis sandersi, maior ave voadora conhecida, com envergadura de sete metros. Houve ainda as que ocuparam o lugar deixado por grandes predadores terrestres: onde há presas grandes disponíveis, surgem predadores ainda maiores.

O primatologista Scott McGraw, da Universidade Estadual de Ohio, afirma que, desde o surgimento dos primatas, existiram aves de rapina, e elas sempre tiveram primatas como presas, incluindo os humanos e seus parentes. Ele examinou restos de mais de 600 primatas modernos mortos por aves como a águia-coroada africana, na floresta Taï, na Costa do Marfim, e encontrou lesões no assoalho orbital — a superfície óssea dentro da órbita ocular — semelhantes às do menino de Taung. Para McGraw, as aves de rapina podem ter sido uma das forças seletivas mais importantes da evolução dos primatas.

O arqueólogo James Cole, da Universidade de Brighton, diz que não há dúvidas no registro paleoantropológico de que os primeiros humanos foram presas, incluindo hominíneos como o bebê Australopithecus africanus. Entre os predadores estavam aves, leopardos, hienas e crocodilos gigantes. A necessidade de escapar deles teria pressionado mudanças evolutivas: a postura ereta ajudaria a avistar predadores, e a cooperação, o altruísmo e a proteção mútua também teriam contribuído. O tamanho do grupo se tornou decisivo — "existe segurança na quantidade", segundo Cole.

Diferentemente de predadores de perseguição, como leões e lobos, as aves de rapina são, muitas vezes, predadores de emboscada: escondem-se nas árvores até o momento do ataque. Por isso, quanto maior o grupo social, melhor a vigilância contra ataques surpresa, o que é conhecido como "efeito de muitos olhos". Acredita-se que esses conflitos antigos tenham moldado tanto nossos corpos quanto nossas mentes, e que algumas dessas aves tenham deixado marcas nas lendas sobre aves que agarravam crianças, preservadas na cultura muito depois de sua extinção.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

Leia a seguir Internacional Futuro de refúgio de Hitler incendiado gera debate na Alemanha sobre o passado nazista Enquanto alguns acreditam que o local deva ser parcial ou totalmente reconstruído, outros querem que ele seja… Continuar leitura arrow_forward

Continue neste assunto

Comentários nesta matéria

Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.

Ainda não há comentários publicados nesta matéria.

Sua avaliação desta matéria

Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.

Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).

Entrar para comentar

Por

Ivan Marra

Quem sou eu

Sou desenvolvedor de software fullstack com mais de 20 anos de experiência na criação de soluções inteligentes, seguras e escaláveis. Atuo desde o backend até o design de interfaces, unindo…

Mais de Ivan Marra