PF revela esquema de triangulação financeira entre Banco Master e Banco Central
A Polícia Federal detalhou como o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizava intermediários para repassar vantagens a ex-servidores do Banco Central. Segundo as investigações, o esquema consistia em uma triangulação de pagamentos estruturada para ocultar a origem e o destino final do dinheiro, com apoio de parentes e empresas de fachada para dificultar a rastreabilidade dos recursos.
A estratégia seguia uma lógica para evitar que o dinheiro saísse diretamente de Vorcaro ou do próprio banco. O recurso era enviado da instituição para uma empresa do grupo e, em seguida, transferido para uma empresa de um intermediário, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Só depois dessas camadas o valor chegava ao destinatário final. Esse método criava uma barreira na identificação de quem pagava e de quem recebia as vantagens, servindo como forma de lavagem e ocultação de bens.
Fabiano Zettel é apontado pela PF como o principal elo financeiro e operacional do esquema. Mensagens indicam que ele criava empresas especificamente para movimentar os valores sem vínculo direto com o círculo familiar ou com o banco. Além de operacionalizar os pagamentos indiretos, Zettel participava de um grupo informal chamado "A Turma", responsável por monitorar desafetos e coletar informações para proteger os interesses de Vorcaro e do Banco Master, com métodos que incluíam intimidação contra adversários do grupo empresarial.
Entre os ex-servidores do Banco Central citados estão Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. A investigação aponta que ambos defendiam ativamente os interesses do Banco Master dentro da autoridade monetária, agindo quase como funcionários de Vorcaro. Belline teria recebido cerca de R$ 4 milhões por meio de contratos fictícios de consultoria. Paulo Sérgio é suspeito de receber vantagens ocultas na venda de um sítio em Minas Gerais por R$ 4,8 milhões a uma empresa ligada ao grupo, embora sua família continuasse usando o local.
Até o momento, apenas a defesa de Belline Santana se manifestou, negando qualquer irregularidade. O advogado Leonardo Palazzi afirma que as acusações se baseiam em trechos seletivos e fragmentados da investigação e sustenta que os depoimentos prestados à Polícia Federal afastam os indícios de crimes, além de afirmar que Belline sempre atuou dentro dos limites de suas atribuições legais no Banco Central. A defesa menciona ainda que o próprio Daniel Vorcaro negou ter feito pagamentos ilícitos ao ex-servidor, reforçando a tese de que os serviços prestados foram legítimos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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