Parlamentares da esquerda repudiam afastamento de diretor da PF por Mendonça
Parlamentares ligados ao governo Lula reagiram com críticas à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As manifestações classificaram a medida como interferência indevida na corporação e associaram a decisão à disputa eleitoral de 2026.
A reação mais contundente veio da bancada do PT na Câmara. Em nota divulgada pelo partido e assinada pelo líder, deputado Pedro Uczai (RS), os parlamentares repudiaram a decisão e defenderam a permanência de Rodrigues no comando da PF. “Trata-se de uma intervenção grave e ilegal na autonomia administrativa e funcional da Polícia Federal, que invade atribuições do Poder Executivo com fins político-eleitorais”, diz o texto. Os petistas afirmam ainda que o afastamento, no contexto do escândalo do Banco Master, beneficiaria o campo político da família Bolsonaro. A nota lembra que Mendonça foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro e que sua decisão é celebrada por setores que atacam a PF e tentam desacreditar investigações que atingem o bolsonarismo.
Em publicação nas redes sociais, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o ministro estaria tentando interferir no processo eleitoral, com o objetivo de beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que retirar o diretor-geral do cargo equivaleria a “proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e os traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela também defendeu que Mendonça determine a abertura do sigilo de todo o material relacionado ao caso Banco Master, incluindo supostas ligações de Flávio Bolsonaro e de sua família com Daniel Vorcaro.
O deputado Rogério Corrêa (PT-MG) lembrou que Mendonça já foi ministro-chefe da Advocacia-Geral da União e ministro da Justiça e afirmou que ele teria agido para proteger Flávio. Já a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) classificou a decisão como “arbitrária” e disse que o afastamento do diretor-geral e de integrantes da cúpula da PF teria como objetivo impedir o avanço das investigações sobre Vorcaro e o Banco Master. Ela afirmou ainda que Mendonça deveria ser considerado suspeito no caso por ter tido, segundo ela, um encontro privado com o banqueiro meses antes de sua prisão.
O afastamento de Rodrigues foi determinado nesta terça-feira (8) por Mendonça, que também retirou preventivamente do cargo o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada. O ministro justificou a medida pela gravidade dos indícios de monitoramento ilegal e pela utilização de relatórios de inteligência da corporação em uma investigação contra ele.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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