Papa Leão XIV condena exploração da ciência para lucro em visita à França
Em visita oficial de quatro dias à França, o Papa Leão XIV manifestou preocupação com o uso da ciência e da tecnologia voltado ao lucro financeiro, em vez do progresso ético. O pontífice reuniu-se com o presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu no dia 25 de setembro, onde defendeu a proteção da vida humana contra práticas como a manipulação genética e o comércio de órgãos.
Em discurso para autoridades no Palácio do Eliseu, Leão XIV alertou que a sociedade corre o risco de transformar a ciência em mero empreendimento comercial. Ele criticou especificamente a manipulação genética — a alteração do DNA de seres vivos —, a barriga de aluguel e o comércio de órgãos. Para o pontífice, o respeito mútuo e a proteção da vida são deveres de todos. Ele também mencionou a inteligência artificial, sugerindo que o avanço técnico deve ser guiado por imperativos éticos, para garantir que o ser humano continue responsável por suas ações.
O tema da eutanásia ganhou peso no discurso porque a França legalizou recentemente o suicídio assistido e a eutanásia, juntando-se a países como Bélgica e Espanha. A eutanásia ocorre quando a vida de alguém é abreviada intencionalmente para aliviar o sofrimento; na morte assistida, o próprio paciente ingere medicamentos letais sob supervisão. O Papa reforçou que ambas as práticas são proibidas pela Igreja Católica e pediu que os líderes políticos protejam a vida em todas as suas fases, rejeitando a ideia de que a ciência possa ser usada para facilitar o fim da existência humana por escolha.
Leão XIV também abordou o conceito de "laicidade" (laïcité), princípio francês de separação total entre instituições religiosas e governo. Defendeu uma "laicidade autêntica", que não exclui a religião da vida pública, mas a enxerga como recurso educacional e cultural valioso. Citando o próprio presidente Macron, afirmou que Estado e igrejas devem unir forças em diálogo pelo bem comum. Para ele, um cristão que atua na política seguindo sua fé não deve ser visto como ameaça à unidade nacional, mas como alguém que contribui para o mundo.
A agenda do Santo Padre incluiu passagens por Paris, como uma visita à sede da UNESCO e à Catedral de Notre-Dame, onde homenageou os bombeiros e arquitetos que trabalharam na reconstrução após o incêndio de 2019. Ele também liderou uma vigília de oração com 80 mil jovens no estádio nacional. O roteiro prevê ainda viagens às cidades de Lourdes e Metz antes do retorno ao Vaticano, no dia 28 de setembro. Em seus discursos, o Papa pediu a proibição de armas nucleares e lamentou os conflitos em curso no Oriente Médio.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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