Pai, faz-nos um! O poder não vale uma guerra religiosa entre brasileiros
Explorar a desconfiança entre católicos e evangélicos para conquistar votos é aceitar que outras pessoas paguem, na própria convivência, o preço de uma ambição política. A advertência está em análise publicada na Gazeta do Povo, segundo a qual uma eleição termina, mas a desconfiança semeada entre as duas comunidades pode permanecer na família, na escola e no trabalho.
O texto cita como exemplo a falsidade de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Um projeto apresentado por outro parlamentar em 2007, arquivado no ano seguinte, foi incorporado à narrativa como se revelasse uma intenção atual do candidato. O Projeto Comprova desmentiu a alegação, e não havia ali, segundo a análise, proposta eleitoral demonstrada que justificasse a ameaça anunciada aos católicos.
Ainda conforme o texto, Lula, questionado sobre a falsidade, declarou não saber se era fake news, ressaltou sua circulação nas redes e reafirmou a permanência da padroeira. Para os autores, um presidente tem responsabilidade pelo que escolhe amplificar: a força de um boato nas redes não lhe empresta verdade, aumenta o dever de esclarecê-lo. Ao oferecer proteção contra uma ameaça sem comprovação, Lula manteve o adversário explicando aquilo que não propôs e ajudou a conservar o medo que a falsidade havia produzido.
A análise também examina a iniciativa do ministro Flávio Dino de requisitar à Polícia Federal, em 30 de setembro, a investigação de ataques a imagens e espaços religiosos. O despacho reúne ocorrências de meses anteriores, inclusive de março, e foi tomado no auge da disputa eleitoral. Segundo o texto, a providência deve ser acompanhada de cobrança por proteção permanente, já que a gravidade dessas violações não começa quando elas entram na campanha presidencial, e exige clareza sobre a competência e eventual prevenção para os desdobramentos judiciais.
O texto cita ainda o ressurgimento de A Bomba, de JB Carvalho, obra cujo prefácio é de 2001 e que, segundo o autor, resultou de quase dez anos de trabalho. Para os autores, transformar esse escrito em síntese definitiva de seu autor apaga o amadurecimento e as relações construídas desde então. A conclusão é que católicos e evangélicos não precisam resolver suas divergências sobre a Igreja, os sacramentos ou a devoção mariana para reconhecer deveres comuns, e que toda agressão religiosa deve ser investigada, sem que nenhuma comunidade inteira seja colocada no banco dos réus por associação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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