O meteoro no espelho d’água: o fundo do poço do Amorinato
Em artigo publicado na Gazeta do Povo, Marcos Degaut afirma que o Itamaraty vive uma decadência financeira e política sob o terceiro mandato de Lula, capturado pelo que chama de "Amorinato". O autor parte da escultura Meteoro, de Bruno Giorgi, instalada no espelho d'água do palácio em Brasília, para sustentar que a instituição deixou de refletir o país no mundo e passou a exibir apenas o lodo do fundo.
Segundo Degaut, a queda se mede em números. Em 2002, o Ministério das Relações Exteriores recebia cerca de 0,18% do orçamento da União. Em 2025, conforme o sindicato dos servidores da Casa, a fatia caiu para 0,08%, o menor patamar em mais de duas décadas, e em 2026 ficou em R$ 5,4 bilhões de um orçamento federal de R$ 6,54 trilhões. Com esses recursos, o Estado pretende manter mais de 220 postos no exterior, atender os brasileiros que vivem fora e abrir mercados para produtos que sustentam a balança comercial.
O autor cita episódios de aperto orçamentário. Em setembro de 2024, a Secretaria-Geral do Itamaraty pediu ao Ministério do Planejamento R$ 200 milhões para evitar o despejo de embaixadas e consulados, alertando para risco de multas e ações judiciais no exterior. Em outubro de 2025, o chanceler Mauro Vieira solicitou mais de R$ 350 milhões em crédito suplementar porque o orçamento do ano só cobria despesas até aquele mês. Em 2026, a escassez atrasou o auxílio-moradia de diplomatas, empurrou o pagamento de diárias e alcançou a emissão de passaportes. O ministério negou a restrição, mas a nota oficial informava que as encomendas à Casa da Moeda haviam sido retomadas após "superadas as restrições orçamentárias".
Degaut associa a crise financeira a escolhas de política externa que, segundo ele, sacrificam o interesse nacional. Menciona a autorização para navios de guerra iranianos atracarem no Rio em 2023, a presença de Celso Amorim no Kremlin, a comparação feita por Lula entre a guerra em Gaza e o Holocausto — que lhe rendeu a condição de persona non grata em Israel — e a reação do governo à captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas em janeiro de 2026.
Na avaliação do articulista, os papéis na condução da política externa estão distribuídos: Lula concebe, Amorim formula e Mauro Vieira assina. Ele afirma que Vieira acumulou convocações ignoradas no Congresso, o que levou a oposição a protocolar em julho um pedido de impeachment por seis ausências na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, e conclui que a política é concebida no Planalto e apenas despachada no Itamaraty.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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