A “fuga” de Flávio e o regime de exceção que restou
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, confirmada por autoridades argentinas e por fontes americanas, é tratada pelo colunista Rodrigo Constantino como reação previsível de quem perdeu a confiança mínima no sistema de Justiça brasileiro, e não como ato de covardia. No texto, ele questiona quem, no lugar do senador, confiaria no atual arranjo institucional e cita os casos de Jair Bolsonaro e de Filipe Martins para sustentar a tese de que o país vive sob regime de exceção.
Segundo a coluna, o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes em 24 horas, com base em inquérito de lavagem de dinheiro e em uma fala do irmão Eduardo, e Flávio descumpriu o prazo. O texto observa que o senador sequer foi indiciado e afirma que, poucos minutos após o resultado oficial do segundo turno — sete minutos, conforme cronologia divulgada —, a máquina já estava pronta para restringir a circulação do derrotado.
A coluna reproduz declaração do senador Rogério Marinho, para quem é estranho, em uma democracia, que um candidato seja objeto de medida cautelar para retenção de passaporte em um inquérito cujo motivo principal teria ruído, o que lhe parece preparação de algo persecutório. Constantino afirma ter recebido relato de jurista de esquerda chocado com o precedente e sustenta que a insegurança jurídica deixou de ser exclusividade do bolsonarismo.
O colunista ressalva que não se trata de endossar qualquer irregularidade que porventura exista no inquérito, que as acusações devem ser apuradas com rigor onde quer que ele esteja, mas defende que o sistema já não oferece garantia mínima de imparcialidade a quem desafia politicamente o governo. Menciona ainda a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos, o caso de Débora do Batom e a prisão de Felipe Martins, além de ameaças que atribui a Lula, no debate, de perda de imunidade e punição.
Para o colunista, a vitória de Lula não suavizou o aparato, mas o acelerou, e quem ainda espera normalização ou moderação lê o filme errado. Ele cita a conta oficial do PT, que quer prender Deltan Dallagnol, o pedido de Pedro Rousseff de retenção do passaporte de Nikolas Ferreira e a ameaça do petista Tatto de que viriam mais prisões. Conclui que, se Trump ajudou na saída de Flávio, isso mostra que a maior democracia do planeta reconhece o Brasil como regime de exceção.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar