O dilema da Europa após direita radical na Alemanha obter vitória inédita desde a 2ª Guerra
A vitória do partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição regional da Saxônia-Anhalt, no último domingo, foi descrita por analistas e pela imprensa alemã como um "terremoto sociopolítico" e um "momento decisivo" para o país. Embora a região tenha apenas 1,7 milhão dos 59 milhões de eleitores alemães, o resultado tem impacto nacional imediato: aumenta a pressão sobre o frágil governo de coalizão centrista em Berlim e fragiliza o chanceler Friedrich Merz, que havia prometido conter a popularidade do partido.
Trata-se da primeira vitória expressiva de um partido nacionalista de direita radical na Alemanha desde o fim do regime nazista, em 1945. Autoridades alemãs classificam a AfD como antidemocrática e consideram algumas de suas facções regionais, incluindo a da Saxônia-Anhalt, como de extrema-direita. A legenda, que já é popular no leste do país, agora também lidera as pesquisas de intenção de voto em âmbito nacional, em um cenário de desilusão dos eleitores com a política tradicional.
O resultado também repercutiu fora da Alemanha. O presidente dos Estados Unidos publicou a pesquisa de boca de urna da eleição em sua plataforma de rede social, enquanto o empresário russo Kirill Dmitriev, CEO do Fundo Russo de Investimento Direto, classificou a vitória como "histórica" e afirmou que o governo alemão está "desacreditado". A AfD é considerada um partido pró-Rússia: defende o fim do envio de ajuda militar à Ucrânia, a suspensão das sanções contra Moscou e a retomada da compra de energia russa, mais barata para a indústria local.
Na União Europeia, o pleito acendeu um alerta. Os próximos 12 meses terão intensa temporada eleitoral em países-chave como França, Itália, Espanha e Polônia, e Bruxelas teme que partidos nacionalistas e de direita radical se beneficiem do descontentamento popular. O líder do partido espanhol Vox celebrou o resultado como "uma grande esperança para a Alemanha e para a Europa", enquanto o ministro francês para Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, afirmou que o momento é "sério" para o continente.
Embora os partidos classificados como extrema-direita rejeitem esse rótulo e difiram entre si em tom e programa, eles compartilham uma plataforma anti-imigração e um forte discurso nacionalista. A preocupação em Bruxelas é que essa ascensão fragmente a coesão europeia justamente quando o bloco enfrenta ameaças externas, como a agressão russa, as disputas tarifárias com os EUA e a concorrência econômica da China. Autoridades de segurança alertam que divisões nas sanções contra a Rússia ou uma postura hesitante em relação à Otan podem encorajar Moscou.
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