Estudo de Oxford encontra pistas sobre a origem do vínculo com animais de estimação entre primatas
Estudo de Oxford encontra pistas sobre a origem do vínculo com animais de estimação entre primatas
Uma revisão conduzida por pesquisadores liderados pela Universidade de Oxford identificou um conjunto de comportamentos entre primatas que pode ajudar a explicar a origem dos vínculos com animais de estimação. Ao analisar 427 registros de interações entre primatas e outras espécies, os cientistas encontraram episódios de brincadeira, catação, contato físico, compartilhamento de alimentos, carregamento e cuidado. Em alguns casos, a proximidade foi tão intensa que se aproximou de uma espécie de adoção.
O estudo, publicado na revista Primates, é a primeira revisão sistemática dedicada às interações sociais entre primatas não humanos e animais de outras espécies. A análise reuniu registros provenientes de artigos científicos, fotografias, vídeos e relatos de pesquisadores. Foram incluídas 88 espécies de primatas e 127 espécies parceiras, entre outros primatas e animais como aves, répteis, cães e gatos. A maior parte dos casos ocorreu na natureza: 311 registros, contra 111 em ambientes sob cuidados humanos.
Os pesquisadores classificaram os comportamentos em 17 categorias. Brincadeiras foram as mais frequentes, com 139 registros, seguidas pela catação, com 136. Também apareceram contato corporal, proximidade, abraços, carregamento, compartilhamento de alimentos e amamentação. Quando foi possível determinar quem iniciou a interação, os primatas foram responsáveis por 66% dos casos. Filhotes e indivíduos jovens apareceram mais associados a brincadeiras, enquanto fêmeas adultas demonstraram maior tendência a comportamentos afiliativos, especialmente a catação.
Alguns episódios foram especialmente relevantes para a hipótese sobre os animais de estimação. No Brasil, um filhote de sagui foi adotado por um grupo de macacos-prego e permaneceu com eles por pelo menos dez meses, com duas fêmeas assumindo sucessivamente comportamentos maternos. Há ainda o caso de um macaco-de-crista que adotou uma galinha em um zoológico de Israel, demonstrando comportamentos afiliativos e protetores em relação à ave.
Os autores ressaltam que a descoberta não significa que macacos tenham animais de estimação no mesmo sentido que seres humanos, já que a maioria das interações observadas foi breve. A pesquisa é apresentada como um ponto de partida para novas hipóteses, propondo investigar comportamentos mais básicos que podem ter contribuído para o processo de formação de vínculos entre espécies diferentes — uma tendência que pode ter existido antes mesmo do surgimento das sociedades humanas que passaram a domesticar espécies.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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