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O auto extermínio e a virtude da esperança

Por Ivan Marra
Atualizado em 23/09/2026 às 07:50 schedule 3 min de leitura visibility 37 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O padre Rafael Solano, da Arquidiocese de Londrina, reflete sobre a relação entre o autoextermínio e a virtude teologal da esperança a partir de sua experiência no estudo da suicidologia. Ao preparar um curso sobre o tema, ele recorda a afirmação do cardeal Walter Kasper de que "a esperança é a fonte da nossa sobrevivência, da capacidade de resistir, de ir em frente", e que não se confia em algo, mas em alguém — relação com Jesus que sofreu, morreu e ressuscitou.

Segundo o autor, há no ambiente do mundo uma desesperança constante que atinge o coração de muitas pessoas, inclusive membros do clero. Bispos, padres e diáconos, escreve, sofrem por antecipado aquilo que a esperança como virtude teologal os ajudaria a superar. Ele observa que o autoextermínio aumenta em uma sociedade que se considera de altíssima performance, mas de baixa autoestima e valorização, e que os índices não apenas cresceram como suas consequências se tornaram cada vez mais destoantes.

O texto propõe três eixos de análise dentro da suicidologia. O primeiro trata do burnout e do suicídio: segundo o autor, a criatividade foi trocada pela eficácia e boa parte do exercício ministerial se tornou meramente funcional. Ao perder a criatividade, diz, desapareceram o lúdico e o prazer pelas pequenas coisas, e muitos bispos e presbíteros sofrem de anedonia constante. Ele alerta que a toxicidade da eficiência virou neurose da produção constante, retirando o tempo para a contemplação, a reflexão e a paz do espírito, e cita são João da Cruz: "A esperança do céu / Tanto alcança quanto espera".

O segundo eixo é a alexitimia, condição psicológica em que a pessoa tem incapacidade de identificar, nomear e expressar as próprias emoções, parecendo fria, racional e robótica — o que popularmente se chama "viver no automático". Para o autor, decodificar emoções e sentimentos é fundamental, e o desequilíbrio afetivo de muitos reside justamente nessa incapacidade de manifestar o que sentem. O terceiro eixo é o borderline, patologia ligada à insatisfação afetiva extrema, marcada por sentimento crônico de vazio, medo do abandono e instabilidade nos relacionamentos. Ele afirma que a aceitação da frustração se tornou distante da vida de muitos bispos e presbíteros e que as redes sociais e a ingerência digital transformaram homens não em públicos, mas em "publicados".

Como caminho, o autor defende que a prática da humildade constante ajuda a desaparecer para que Ele apareça e a aceitar com doçura as frustrações, acolhidas não como tormento, mas como possibilidade de liberdade e sensatez no ministério. Ele afirma que o autoextermínio não é a saída para nenhuma dessas patologias e que sempre haverá alguém por perto para conversar e partilhar. Diante de qualquer pensamento ou intenção de acabar com a própria vida, orienta: procure alguém; falar é dar o passo definitivo para continuar vivendo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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