Estudos indicam que Mounjaro e Ozempic podem interferir no ritmo do envelhecimento
Pesquisas recentes começam a investigar se medicamentos como Mounjaro e Ozempic, conhecidos pelo controle do diabetes e pela perda de peso, podem produzir efeitos sobre mecanismos ligados ao envelhecimento biológico. Estudos apresentados em uma conferência sobre envelhecimento identificaram sinais de desaceleração nesses indicadores, mas os resultados ainda estão distantes de comprovar que os remédios prolonguem a vida humana.
Um dos trabalhos foi conduzido pela Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, com 71 participantes acima de 50 anos que usaram tirzepatida durante 72 semanas. A equipe utilizou relógios epigenéticos, que estimam a idade biológica a partir de alterações na ativação e desativação de genes. Enquanto o envelhecimento cronológico esperado no período seria de 1,38 ano, os indicadores apontaram evolução menor da idade biológica, entre 0,7 e 1,1 ano, conforme o método. Alguns relógios chegaram a indicar regressão. O estudo, porém, não teve grupo placebo e o acompanhamento foi relativamente curto, sem clareza sobre se o efeito decorre da ação do medicamento ou da perda de peso e da melhora metabólica.
Já a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, analisou alterações em proteínas produzidas pelo organismo de pessoas que usaram semaglutida. Na comparação com participantes que receberam placebo, os pesquisadores estimaram redução de dois a quatro anos na idade biológica do coração. Para pulmões, rins, cérebro e pâncreas, a redução estimada ficou entre um e quatro anos. O trabalho foi divulgado como preprint, antes da revisão por pares.
A hipótese também foi testada em animais por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, que administraram semaglutida ou placebo a camundongos de 20 meses, equivalentes aproximados a humanos de 60 anos. Os animais tratados comeram menos, perderam peso e apresentaram maior expectativa de vida: viveram, em média, 834 dias, contra 742 dias entre os que receberam placebo. Em comparação com animais submetidos a redução de 25% na ingestão calórica, os tratados com o medicamento tiveram vantagens em testes de raciocínio e controle da glicose.
Especialistas ressaltam que ainda não há evidência suficiente para recomendar esses medicamentos como estratégia de longevidade. Uma das questões é saber se os efeitos observados decorrem da perda de peso e do controle metabólico ou de mecanismos adicionais dos fármacos. Também não se sabe se os possíveis benefícios se aplicariam a pessoas saudáveis, sem obesidade ou diabetes, e as ferramentas que calculam a idade biológica ainda estão em desenvolvimento. Assim, semaglutida e tirzepatida seguem com indicações específicas para diabetes e obesidade; transformá-las em terapia antienvelhecimento exigiria estudos maiores, acompanhamento por vários anos e evidências de que a redução da idade biológica se traduza em mais anos de vida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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