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Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

Por Ivan Marra
Atualizado em 05/09/2026 às 16:35 schedule 3 min de leitura visibility 27 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram a última edição do TEDxAmazônia, realizado pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyo, no Equador, com um manifesto em defesa dos territórios. “Mulheres em resistência, em defesa dos nossos corpos e dos nossos territórios. Que não sejam tocados, não sejam violados, não sejam mortos! A força da terra está dentro de nós”, declararam. À frente do grupo, a anciã do povo Shuar Catalina Chumpi pediu às águas das cachoeiras que dessem poder às suas “netas” para defender seus territórios.

A abertura do encontro, realizado entre os dias 27 e 30 de agosto, também trouxe a mensagem de alerta. O líder indígena do povo Shuar, Domingos Peas, pediu um minuto de silêncio por defensores da natureza assassinados em represália ao trabalho. Segundo relatório da organização Global Witness, a América Latina é o continente onde mais se matam defensores ambientais, e líderes indígenas estão entre os mais vitimados.

Para a líder do povo Kichwa, Patricia Gualinga, a proteção da Amazônia passa pela incorporação legal da cosmovisão indígena, que reconhece a natureza como sujeito de direitos. Ela citou a Constituição do Equador, que desde 2008 define que a natureza tem direitos equivalentes aos das pessoas, e decisões judiciais que reconheceram os direitos de rios e florestas. “Uma constituição não vai regenerar por si mesma uma floresta, uma sentença não vai sanear um rio. Nós precisamos de políticas públicas, de transformações profundas na economia global, de instituições firmes”, defendeu.

A diretora de Comunas, Povos e Nacionalidades do Fundo do Biocorredor Amazônico, Diana Chavez, reivindicou participação efetiva dos povos indígenas na governança de fundos de conservação. Ela afirmou que menos de 1% do financiamento global para ações climáticas chega diretamente aos indígenas e criticou a burocracia no acesso aos recursos. “A consulta te coloca na sala de espera, a governança te coloca na mesa de decisão”, destacou.

O evento também apresentou iniciativas comunitárias, como a agroindústria de extrato de guayusa, planta nativa da Amazônia, criada pela administradora Esthela Noteno, de origem Kichwa. O projeto envolve 12 famílias e produz de 3 a 5 mil garrafas por mês, com folhas compradas de mulheres indígenas que cultivam a planta em sistemas agroflorestais. O TEDxAmazônia reuniu 30 palestrantes e deve ser realizado em Belém (PA) em junho do próximo ano.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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