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'Minha mãe morreu de novo': a jovem que presenciou o pai matar a mãe e agora vê o tio como suspeito de outro feminicídio na família

Atualizado em 23/09/2026 às 22:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Micheli Barbosa, de 25 anos, reviveu no fim de junho o trauma que marcou sua família há quatro anos. Ao saber da prisão do tio, Valdecir Inácio Barbosa, suspeito de matar a esposa, ela sentiu que a tragédia se repetia. Em 2022, Micheli perdeu a mãe, Teresinha, assassinada pelo próprio pai, Valdir Barbosa, irmão de Valdecir.

"Veio tudo de novo. Eu disse para a minha avó: 'Parece que estão me ligando para dizer que minha mãe morreu de novo'", relata a esteticista, que mora em Alecrim, cidade gaúcha de cerca de 5,5 mil habitantes próxima à fronteira com a Argentina.

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Deviem

O que mais a surpreendeu foi lembrar das conversas que teve com o tio na época da morte da mãe. Segundo Micheli, Valdecir criticou a atitude do irmão na ocasião. "Meu Deus, o que se passava na cabeça do Valdir, o que que levou ele a fazer isso? Que loucura. Se não dá mais, separa", teria dito o tio, conforme o relato dela.

Micheli cresceu em meio à violência doméstica. Conta que o pai era ciumento e controlador e que as agressões contra a mãe faziam parte da rotina. Teresinha tentou se separar diversas vezes, registrou ocorrências policiais e chegou a fugir para outras cidades, mas, segundo a filha, nenhuma medida foi suficiente para afastar Valdir. Em janeiro de 2022, ele apareceu armado na casa de Micheli, apontou um revólver para a cabeça dela e levou Teresinha à força. Após buscas, os dois foram localizados em uma residência na cidade vizinha. Policiais cercaram o imóvel e ouviram disparos. Quando conseguiram entrar, encontraram Teresinha baleada e Valdir morto. A mãe chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

A violência, segundo Micheli, não se limitou às agressões que presenciava contra a mãe. Ela afirma ter sido vítima de abusos cometidos pelo pai durante a infância, episódios que começaram após uma das tentativas de separação de Teresinha. Diz que só conseguiu revelar os abusos aos 14 anos, depois de um episódio em que o pai tentou atacá-la com uma faca. As duas procuraram a polícia e registraram denúncia, mas, segundo ela, dias antes da audiência o pai voltou a ameaçá-las. No depoimento, com medo, Micheli acabou negando o que havia relatado.

Com a prisão de Valdecir, as lembranças sobre a mãe voltaram à tona. A lavradora Tatiane Cristina Kusniewski, morta em junho, deixou duas filhas, uma de 21 anos e outra de 10. Micheli diz que não sabe o que acontecia dentro da casa do casal, mas afirma que sua própria história a ensinou que a violência doméstica muitas vezes permanece invisível para quem está de fora. "Só quem vive entre quatro paredes sabe o que uma pessoa é capaz de fazer."

Além da dor causada pelos dois casos, Micheli enfrenta o peso do estigma em uma cidade pequena. "A gente tenta fazer uma coisa, tenta fazer outra, mas não vai para frente. Aqui a cidade é tão pequena que a gente acaba sendo manchada junto por uma coisa que a gente nem tem culpa do que aconteceu."

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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