Madre Teresa sofreu décadas de escuridão espiritual que poucos conheciam
Madre Teresa viveu décadas de escuridão espiritual, revelam cartas da santa
Celebrada em 5 de setembro pelos católicos, Santa Teresa de Calcutá, conhecida mundialmente como Madre Teresa, completou dez anos de canonização neste ano. A religiosa, famosa pelo trabalho entre os pobres na Índia e por fundar as Missionárias da Caridade, guardava, porém, uma dimensão pouco conhecida de sua vida espiritual: ela relatou ter suportado por décadas uma profunda sensação de escuridão interior.
De acordo com cartas privadas da santa, mesmo sendo uma mulher de oração intensa e dedicada ao serviço religioso, ela por vezes se sentia distante de Deus. A revelação contrasta com a imagem pública de devoção e alegria que marcou sua trajetória, mas não abalou sua fé nem sua entrega à missão entre os mais necessitados.
Nascida Anjezë Gonxhe Bojaxhiu em 1910, em Skopje, então parte do Império Otomano e hoje capital da Macedônia do Norte, Madre Teresa era a mais nova de cinco filhos de uma família albanesa. Aos 12 anos sentiu o chamado para servir os pobres e, aos 18, deixou a casa da família para ingressar no Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria, as Irmãs de Loreto, ordem irlandesa com a intenção de atuar na Índia. Foi nesse período que adotou o nome Teresa, em homenagem a Santa Teresinha de Lisieux, freira francesa do século XIX conhecida como a "Pequena Flor".
Antes de se dedicar integralmente aos pobres, Madre Teresa foi professora na Índia por quase duas décadas. Chegou a Calcutá em janeiro de 1929 e, após os votos iniciais em 1931, lecionou na Escola St. Mary's para meninas, tornando-se diretora em 1944. Em setembro de 1946, viveu o que chamou de "chamado dentro de um chamado", quando teria recebido inspiração para fundar uma comunidade dedicada aos mais pobres. Apenas em outubro de 1950, porém, a congregação das Missionárias da Caridade foi oficialmente estabelecida.
Ao longo da vida, Madre Teresa também fundou ramos masculinos da congregação e grupos para leigos. Em 1979, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, pediu que o dinheiro do banquete tradicional fosse doado aos pobres e usou o discurso para defender a dignidade da vida humana. Hoje, as Missionárias da Caridade mantêm 754 casas em 138 países, com mais de 5 mil freiras dedicadas ao atendimento dos mais necessitados.
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