Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes
Candidaturas de autistas crescem mais de cinco vezes e somam 70 registros em 2026
Os pedidos de registro de candidaturas de pessoas que se declaram autistas saltaram de 13, em 2022, para 70 nas eleições gerais deste ano, um aumento de mais de cinco vezes. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e contrariam a tendência geral, já que o total de candidaturas caiu de 29.262 para 20.829 no mesmo período, número que ainda pode ser atualizado pela Corte.
Entre os 70 candidatos, 39 disputam vagas de deputado estadual e 22 concorrem a deputado federal. Há ainda cinco postulantes à Câmara Legislativa do Distrito Federal, três a vice-governador e um primeiro suplente. No total, 524 candidatos declararam à Justiça Eleitoral ter algum tipo de deficiência, sendo 208 com deficiência física, 112 visual, 59 auditiva e 145 com outras condições, incluindo o autismo.
Para a presidenta da Associação Vozes Atípicas (AVA) e terapeuta Simone Alli Chair, que atua há 30 anos na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, o crescimento reflete a maior visibilidade do segmento. Ela pondera que os diagnósticos aumentaram graças aos avanços da ciência, o que reduz a subnotificação de casos. Simone alerta, no entanto, que parte dos candidatos busca apenas atrair eleitores sem compromisso real com a causa. "Muitos não estão interessados em realmente nos ajudar. Quando pedimos apoio a projetos, querem condicioná-la à propaganda", afirma.
A ativista critica a superficialidade das propostas e a priorização da quantidade em detrimento da qualidade. "Se uma criança autista precisa de uma psicóloga, não é qualquer psicóloga. É uma profissional com formação específica", exemplifica. Ela defende que o eleitor analise com rigor o histórico e a viabilidade técnica das promessas de campanha.
O cientista político João Francisco Meira, sócio-fundador do Instituto Vox Populi, avalia que o fenômeno segue uma lógica de segmentação, sobretudo nas eleições proporcionais. Segundo ele, candidatos buscam se diferenciar em nichos específicos para atrair eleitores além das divisões partidárias tradicionais. "Na medida em que alguns problemas vão sendo equacionados, novas preocupações passam a receber um olhar diferenciado e entram na agenda política", conclui.
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