Líder chavista manda recado a María Corina após retorno e diz que Lula venceu “fascismo”
O ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, enviou um recado à líder oposicionista María Corina Machado, que retornou ao país no fim de semana, e celebrou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição brasileira. As declarações foram feitas em entrevista coletiva em Caracas nesta segunda-feira (26), segundo o site Efecto Cocuyo.
“Quem quiser vir, que venha; não há perseguição alguma. Deixem de encenação; que ela assuma a responsabilidade pelo que disse e fez”, afirmou Cabello, dirigindo-se à oposicionista. O ministro chavista acrescentou que “quem vier com o jogo de desestabilização vai quebrar a cara” e acusou María Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, de ter pressionado por sanções internacionais contra a Venezuela.
“Os setores que pediram sanções, não dá para simplesmente virar a página sem prestar contas. Não se pode descartar o que foi dito há um mês adotando uma nova postura”, declarou. Na mesma entrevista, Cabello comemorou o resultado da eleição brasileira. “Um reconhecimento ao povo brasileiro, que teve a lucidez de perceber que o que vinha pela frente era o fascismo — e o barrou de imediato, votando. Nós, movimentos políticos aliados, parabenizamos o presidente; estamos muito felizes com a vitória de Lula”, afirmou.
Segundo a reportagem, nos dias seguintes à operação militar americana na qual foi capturado o então ditador Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, Cabello proferiu uma série de bravatas contra os Estados Unidos, com manifestações de repúdio a “ataques imperialistas que buscam minar a soberania e a estabilidade de todos os venezuelanos”. Ainda em janeiro, a agência Reuters publicou reportagem na qual três fontes oficiais não identificadas apontaram que o governo Donald Trump deu um aviso a Cabello para que não atrapalhasse o processo de transição no país caribenho.
Conforme as fontes ouvidas pela agência britânica, Washington alertou que o ministro poderia “aparecer no topo da sua lista de alvos” se não ajudasse a ditadora interina, Delcy Rodríguez, “a atender às exigências dos EUA e a manter a ordem após a queda de Nicolás Maduro”. Nos últimos meses, o chavista tem se mostrado mais discreto e parece ter perdido espaço no regime de Rodríguez, que se aproximou de Washington.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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