Israel vai às urnas, e legado do 7 de outubro pode definir se Netanyahu terá seu sétimo mandato
Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira (27/10) para uma eleição considerada por muitos como uma das mais decisivas da história do país. Pesquisas divulgadas na semana passada apontam disputa apertada entre o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que lidera o recém-formado Partido Yashar.
Nenhum dos dois principais blocos deve conquistar as 61 cadeiras necessárias para formar um governo de maioria, o que abre a possibilidade de semanas ou meses de disputas políticas. O sistema de representação proporcional israelense exige a formação de coligações, e a disputa pode produzir alianças inesperadas. Eisenkot é a principal figura do chamado "bloco da mudança", que reúne partidos com diferenças ideológicas, mas com o objetivo comum de tirar Netanyahu do poder. Entre os líderes do grupo estão o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, Avigdor Lieberman e Yair Golan.
A campanha foi moldada pela questão da segurança. A oposição critica Netanyahu por falhas que teriam levado aos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro, quando quase 1,2 mil pessoas foram mortas e 251 feitas reféns em Gaza, e pede a criação de uma comissão independente de inquérito — algo a que o primeiro-ministro resiste, alegando que o colegiado seria tendencioso contra ele. Netanyahu, por sua vez, voltou a se apresentar como "Sr. Segurança", destacando o que considera vitórias estratégicas nas guerras de Israel no Oriente Médio e sua relação estreita com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A permanência no poder depende de uma nova aliança com os partidos de extrema-direita e ultraortodoxos que compõem sua atual coalizão, a mais à direita da história do país.
O bloco de oposição também aponta o que considera ameaças à democracia sob o governo de Netanyahu, que enfrenta julgamento em andamento por acusações de corrupção — que ele nega — e segue implementando planos controversos de reforma do Judiciário, que levaram a protestos em massa antes dos ataques de 7 de outubro. Outro tema dominante é o recrutamento militar obrigatório: o governo não implementou decisão da Suprema Corte que determinava o alistamento de homens judeus ultraortodoxos em estudo religioso em tempo integral.
Há ainda dois blocos partidários árabes na disputa, já que cerca de um quinto da população de Israel é árabe. Em teoria, eles poderiam ser decisivos, mas todos os principais partidos judaicos, com exceção de um, descartaram trabalhar com eles. As emissoras israelenses divulgam pesquisas de boca de urna às 22h (17h no horário de Brasília). Parte dos votos de soldados e reservistas só começará a ser contada na quarta-feira. Um desfecho temido é o impasse político, com novas eleições e Netanyahu permanecendo como primeiro-ministro interino — cenário que Israel viveu entre 2019 e 2022, quando realizou cinco eleições sem que os partidos conseguissem formar coalizão.
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