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'Influenciadoras que fingem submissão aos maridos são as mesmas que gerenciam impérios multimilionários', diz autora de best-seller sobre tradwives

Por Ivan Marra
Atualizado em 05/09/2026 às 13:40 schedule 3 min de leitura visibility 32 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A escritora americana Caro Claire Burke, autora do romance de estreia "Bons Tempos: Yesteryear", afirma que há uma contradição central no fenômeno das influenciadoras conhecidas como tradwives — mulheres que promovem, nas redes sociais, uma vida dedicada à submissão aos maridos e aos papéis tradicionais de gênero. "Essas mulheres que fingem submissão e que não saem de casa muitas vezes são as provedoras de seus lares, muitas vezes administram impérios multimilionários. É uma grande contradição", disse a autora em entrevista ao programa Book Club, da BBC Radio 2.

O livro, que acaba de ser lançado no Brasil pela Editora Rocco e será adaptado para o cinema com Anne Hathaway na produção e no elenco, narra a história de Natalie, uma influenciadora de 32 anos que se apresenta como esposa tradicional. Ela é transportada de volta ao século 19 e, quando a vida que romantizava se torna real, os "bons tempos" deixam de parecer agradáveis. A obra é classificada como uma "sátira sombria" e alterna entre o presente e uma versão apavorante do passado.

Para Burke, a forma como outras mulheres se definem "não é da conta de ninguém", mas o tema ganha relevância quando essas figuras usam as redes sociais para propagar crenças a partir de uma imagem que, por vezes, é apenas uma performance. "Tenho muito interesse em como todos nós, de certa forma, performamos o tempo todo, tanto online quanto na vida real. É como um efeito de espelho distorcido", afirmou.

A autora diz não ter se inspirado em uma pessoa específica para criar a protagonista, mas passou horas pesquisando sobre tradwives nas redes sociais. Segundo ela, uma influenciadora tradwife é alguém que coloca em prática online a ideia de assumir papéis tradicionais e a submissão das esposas, geralmente obtendo grande retorno financeiro. A trama se passa em uma fazenda de 200 hectares no Estado americano de Idaho, onde Natalie, mãe de cinco filhos e grávida do sexto, prepara pães de fermentação natural e educa os filhos em casa — tudo com um sorriso no rosto enquanto a câmera está ligada.

O romance ficou semanas na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times e liderou o ranking de livros de ficção do Sunday Times, no Reino Unido. Em junho, a obra foi o assunto mais comentado na plataforma BookTok. A professora de cultura e literatura contemporânea Rachel Sykes, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, afirma que o paradoxo das esposas tradicionais — que aparentemente desprezam mulheres profissionais enquanto constroem seus próprios negócios — as torna objeto de dissecação cultural. "A figura da esposa tradicional realmente cristaliza muito desta questão e livros como este levam as pessoas a debater o que é importante para elas", disse.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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