Gafes, lapsos e vacilos permeiam discurso de Lula em campanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumula em sua campanha à reeleição uma sequência de gafes e lapsos que têm preocupado aliados e gerado críticas de analistas sobre sua capacidade de comunicação e desgaste físico. Em menos de uma semana, episódios envolvendo a apresentadora Renata Vasconcellos, a primeira-dama Janja e garis ganharam repercussão nacional.
Na sabatina da TV Globo, no fim de agosto, Lula tentou ensinar a jornalista a formular uma pergunta sobre ajuste fiscal, em um episódio classificado por comentaristas como mansplaining. Na mesma entrevista, ao ser questionado sobre a lobista Roberta Luchsinger, o presidente afirmou que não a conhecia, mas fotografias publicadas nas redes sociais mostram os dois juntos em ocasiões distintas em 2022. “Foi um erro primário. Um deputado de primeiro mandato não cometeria esse erro”, avaliou o cientista político Leonardo Barreto, da Think Policy.
Dias depois, em discurso de improviso em Belo Horizonte, Lula confundiu a atual primeira-dama com a falecida esposa Marisa Letícia. Na mesma ocasião, ao falar sobre desigualdade, afirmou que a profissão de quem recolhe lixo é “muito pobre” e que “não é uma profissão que dá orgulho”. A declaração foi explorada por adversários e gerou resposta de grupos de garis. “O presidente desmereceu a nossa empresa e a nossa profissão. Essa é uma profissão que a gente tem orgulho”, disse um trabalhador em vídeo.
Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo veem os episódios como reflexo da impulsividade do presidente e da dificuldade de adaptação ao dinamismo das redes sociais. “Você coloca o microfone na boca dele e ele não se controla. Ele fala o que sai”, afirmou o cientista político Adriano Gianturco, do IBMec, que comparou o quadro à campanha do presidente americano Joe Biden. “Existe, sim, uma quebra de confiança na capacidade dele”, acrescentou Leonardo Barreto.
Os deslizes recentes se somam a um histórico de declarações controversas ao longo do mandato. Em 2024, Lula comparou a situação em Gaza ao Holocausto, o que levou Israel a declará-lo persona non grata. Em junho deste ano, voltou a citar Hitler ao falar sobre “hegemonia branca”, o que motivou representação do PL no Tribunal Superior Eleitoral.
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