Flávio mira em voto dos eleitores de adversários e tenta decidir eleição no 1º turno
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entrou na reta final do primeiro turno com uma estratégia voltada a atrair eleitores de outros candidatos de oposição e tentar encerrar a disputa já em 4 de outubro. O senador passou a fazer apelos diretos ao chamado voto útil, direcionados a quem tem como preferência inicial nomes que aparecem mais distantes da liderança nas pesquisas.
Internamente, a equipe trabalha para explorar a percepção de que a disputa está concentrada nos dois primeiros colocados. No Datafolha divulgado na última quinta-feira (17), Lula (PT) aparece com 39% no primeiro turno, contra 36% de Flávio. Na simulação de segundo turno, o presidente tem 46%, ante 44% do senador, resultado dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na pesquisa Quaest, divulgada dias antes, Flávio chegou a aparecer numericamente à frente de Lula no segundo turno, por 42% a 40%, o que mantém os dois dentro do empate técnico.
Com esse cenário, a campanha do PL passou a mirar diretamente os eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), que somam 15% das intenções no levantamento Datafolha. Em transmissão pelas redes sociais, Flávio pediu que eleitores que não o têm como primeira opção considerem votar nele já no primeiro turno. Nos grupos de WhatsApp da campanha, o próprio candidato reforçou a estratégia e pediu engajamento dos aliados “para resolver no 1º turno” a disputa. O PL também pretende divulgar um jingle que repete a expressão “virou, virou, virou, virou” e afirma que “o Brasil agora é Flávio”.
Depois de passar por Santa Catarina no último fim de semana, quando esteve em Joinville e Chapecó ao lado do irmão Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado, a campanha pretende concentrar as últimas viagens antes do primeiro turno no Sudeste, com agendas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na simulação de segundo turno da Quaest, Flávio passou de 43% para 47% entre eleitores do Sudeste, enquanto Lula recuou de 35% para 31%; a diferença entre os dois chegou a 16 pontos, com margem de erro de três pontos percentuais no segmento.
A campanha também prepara Flávio para o debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, três dias antes da votação. A equipe decidiu que o senador só estará presente caso Lula também compareça, sob a avaliação de que, sem o petista, os demais candidatos poderiam concentrar ataques no candidato do PL. Além disso, a campanha terá de definir como abordar temas que ganharam espaço na reta final, como o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo, medida que Flávio classificou como “ato de desespero” e passou a associar à proximidade da eleição.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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