'Escalada da guerra interna no tribunal politizado': o que disse a imprensa internacional sobre afastamento do diretor da PF
A imprensa internacional repercutiu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, delegado Leandro Almada, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (08/09). O jornal espanhol El País classificou a decisão como "uma escalada da guerra interna dentro do tribunal politizado" e destacou que o desdobramento da crise pode influenciar as eleições presidenciais marcadas para outubro.
Segundo o El País, "nunca antes o Supremo Tribunal Federal havia vivenciado uma crise de tamanha magnitude". A publicação também observa que o caso desencadeou uma disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que determinou a suspensão provisória do chefe da PF. A decisão de Mendonça foi publicada cinco dias depois de Moraes pedir a investigação do colega no âmbito do Inquérito das Fake News. Antes disso, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF sobre interações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
As agências Reuters e Associated Press (AP) também noticiaram o caso. A Reuters afirmou que o afastamento "representa um novo capítulo" no conflito no STF e lembrou que Moraes é uma figura poderosa no Brasil, responsável pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por um plano de golpe para reverter a derrota nas eleições de 2022. A agência acrescentou que líderes da oposição de direita têm buscado associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moraes para impulsionar a campanha do senador Flávio Bolsonaro. A AP, por sua vez, disse que o conflito "arrasta o governo" de Lula "para o turbilhão que antecede as eleições".
Mendonça convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF, na qual se formou maioria para referendar o afastamento preventivo, mas a conclusão foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que conteste a decisão monocrática, e ele deu 72 horas para Mendonça se manifestar. Em apoio a Rodrigues, os 11 diretores da PF colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, delegado William Marcel Murad, classificando o afastamento como "ataques injustificados".
Faltando menos de um mês para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Lula tem 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Nas simulações de segundo turno, Flávio aparece com 45% e Lula, com 44%. Em caso de nova votação, ela ocorreria em 25 de outubro.
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