Em Brasília, o “apartheid”; na Paulista, o povo
O desfile de Sete de Setembro em Brasília, neste ano, ocorreu sem a presença de público nas áreas tradicionais da Esplanada dos Ministérios, enquanto manifestantes se concentraram na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o atual cenário político e judicial do país. A avaliação é do comentarista Alexandre Garcia, que descreveu o evento na capital federal como um reflexo do distanciamento entre o Estado e a população.
Segundo Garcia, os palanques montados para a celebração reuniram apenas autoridades federais e integrantes do chamado Brasil oficial. Nas áreas de gramado, historicamente ocupadas por milhares de espectadores em edições anteriores, não havia público. O comentarista afirmou que, em mais de seis décadas, nunca viu uma parada da Independência sem a presença popular.
Enquanto isso, na Avenida Paulista, manifestantes se reuniram para criticar autoridades dos três Poderes, incluindo o presidente da República, o presidente do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral e o diretor da Polícia Federal. O comentarista lembrou que a Paulista já foi palco de manifestações que resultaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e classificou o atual movimento como um pedido para que o Estado se livre daquilo que chamou de imoralidade.
Garcia também comentou as faixas oficiais exibidas em Brasília com a palavra “soberania”. Para ele, o termo foi usado como slogan eleitoral, sem explicação sobre a quem se refere ou qual o seu propósito, uma vez que a população não teria poder de decisão. O comentarista citou ainda uma data marcada para decisão popular: 4 de outubro, quando eleitores irão às urnas.
Na avaliação do colunista, o distanciamento observado no feriado é um espelho da separação entre o Estado e os cidadãos. Ele afirmou que a decisão das urnas poderá determinar se haverá respeito à Constituição ou continuidade do que chamou de decadência.
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