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Em Brasília, atos por Lula e Flávio ficam a 2 km de distância

Por Ivan Marra
Atualizado em 25/10/2026 às 11:55 schedule 4 min de leitura visibility 9 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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No centro de Brasília, as manifestações de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, ocorreram neste sábado (24), véspera das eleições, separadas por cerca de dois quilômetros. Os grupos se concentraram em pontos distintos da cidade: os simpatizantes de Lula, majoritariamente vestidos de vermelho, ocuparam as imediações do Museu Nacional, enquanto os apoiadores de Flávio, em maioria de amarelo, se reuniram na Torre de TV.

Ao longo do percurso, eleitores dos dois lados se encontraram nas ruas e houve provocações, segundo relatos dos participantes. Apesar do clima de tensão, integrantes de ambos os grupos afirmaram que a distância entre eles se tornou intransponível, mas a palavra democracia foi repetida nas duas manifestações. As concentrações contaram com trios elétricos, jingles de campanha e a execução do Hino Nacional.

Entre os apoiadores de Lula, a arquiteta Hanna Brandini, de 33 anos, participava pela primeira vez de uma grande manifestação. Vestindo camisa vermelha com a imagem do atual presidente, ela disse que a campanha foi marcada por muita desinformação e que os desentendimentos podem ser momentâneos. Na mesma calçada, o bacharel em direito que se identificou apenas como Leonardo, de 36 anos, trajava a camisa da seleção brasileira e afirmou ter se sentido discriminado nos últimos anos, além de considerar condenáveis os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Ele espera que o próximo governo conte com o respeito de quem for derrotado.

Também de camisa da seleção, as amigas Lana Wendy Rodrigues, monitora de creche de 29 anos, e a vendedora Dayane Gomes, de 32, moradoras de Sobradinho 2, disseram evitar conversas sobre política no cotidiano e levaram uma bandeira do Brasil ao ato. Já o bancário Samuel Nascimento, de 26 anos, e a consultora Julia Nascimento, de 34, defenderam que a alternância de poder ocorra de forma pacífica e que a democracia seja respeitada por vencedores e derrotados.

Do lado dos apoiadores de Flávio, a estudante secundarista Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, vendia leques, bonés e camisetas com a imagem do candidato e comemorava o primeiro voto. A dois quilômetros dali, as irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos, também votavam pela primeira vez e manifestavam entusiasmo com a participação dos mais jovens. Laila citou o ensino público e gratuito e o desarmamento como pautas principais entre seus amigos.

O economista aposentado Murilo da Cunha, de 73 anos, percorreu a Esplanada dos Ministérios em cadeira de rodas por causa de uma doença neurológica rara e comparou o ato aos movimentos das Diretas Já, na década de 1980, e dos cara-pintadas, em 1992. Próximos a ele, José Pedro Oliveira, de 61 anos, e Ana Carolina Campos, de 48, contaram que votaram em Jair Bolsonaro em 2018, mas mudaram de opinião após o filho adolescente ter ficado em perigo de morte em uma Unidade de Terapia Intensiva em decorrência da covid-19.

As manifestações também ocorreram em outras cidades do país. Em Maceió, apoiadores de Lula participaram de uma corrida na orla antes do nascer do sol. Em Fortaleza, houve corrida de rua pela manhã e um ato no mar com o slogan "A Praia é Nossa". Apoiadores de Flávio realizaram um ato em Goiânia, e houve manifestações em Cuiabá, Dourados, Vitória e diversas outras cidades. Lula participou de eventos em Copacabana, no Rio de Janeiro, pela manhã, e na Avenida Paulista, em São Paulo, à tarde. Flávio acompanhou uma motocarreata em Belo Horizonte pela manhã e, na sequência, fez ato na Barra da Tijuca, no Rio.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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