'É a maior crise do STF': Gonet deveria se afastar do caso Master e Moraes precisa ser investigado, afirma ex-PGR Claudio Fonteles
O ex-procurador-geral da República Claudio Lemos Fonteles afirmou que o atual chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, deveria se afastar do comando das investigações sobre o Banco Master. Para Fonteles, que comandou a PGR entre 2003 e 2005, o caso representa "a maior crise da história do STF" e o ministro Alexandre de Moraes precisa ser investigado com base nos fatos revelados pela Polícia Federal.
Em entrevista à BBC News Brasil, Fonteles avaliou que a possível viagem bancada pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filho de Gonet é o ponto "mais delicado" das revelações, embora não configure necessariamente um ilícito criminal. "O procurador-geral da República tem que explicar isso", disse. Na visão dele, o correto seria Gonet transferir a condução do caso para o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, como "uma garantia para ele mesmo".
O ex-PGR também defendeu a abertura de investigação contra Moraes. Ele citou como fatos que precisam ser apurados a suposta participação do ministro na contratação do escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci de Moraes, que mantinha contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, e as mensagens em que Vorcaro pede orientação sobre deixar o Brasil. "Esses fatos são objetivamente postos. Não resta a menor dúvida, você tem que apurá-los", afirmou.
Fonteles rebateu o pedido de Gonet para anular o relatório da PF produzido a pedido do ministro André Mendonça. Para ele, não houve ilegalidade na solicitação, uma vez que a Lei 13.964, de 2019, ampliou a possibilidade de atuação de juízes na condução de investigações. "Não se está acusando ninguém ainda. Simplesmente, está se questionando se pode ser aberta uma investigação a partir desses dados concretos que surgiram", explicou.
Apesar de defender a apuração, o ex-procurador-geral não considera adequada a abertura de processo de impeachment contra Moraes nem vê necessidade de afastamento do ministro durante o inquérito. "Vamos abrir e vamos desenvolver amplamente essa investigação", concluiu. Moraes ainda não se manifestou sobre as revelações, e o escritório Barci de Moraes nega irregularidades.
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