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Decisão de Mendonça afasta também delegado que investigou morte de Marielle Franco

Por Ivan Marra
Atualizado em 08/09/2026 às 14:20 schedule 3 min de leitura visibility 33 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também atingiu o diretor de Inteligência da corporação, o delegado Leandro Almada. A medida, divulgada nesta terça-feira, é o desdobramento mais recente da crise instalada no STF após Mendonça retirar o sigilo de relatórios da PF sobre supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Almada ganhou notoriedade nacional por ter integrado o grupo de policiais federais criado para atuar no caso da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. Ele também comandou a Superintendência da PF no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024, período em que a corporação desencadeou operações de combate ao crime organizado no âmbito da chamada "ADPF das Favelas", que atingiram o ex-governador fluminense Cláudio Castro. Na decisão, Mendonça relaciona o afastamento de Almada à produção de relatórios de inteligência que, segundo o ministro, teriam extrapolado as atribuições legais da PF.

Os documentos citados por Moraes em despacho na semana passada analisavam decisões tomadas pelo próprio Mendonça em investigações sob sua relatoria no STF, além da atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de delegados da PF. Mendonça classificou a produção e a divulgação dos relatórios como ilícitas e afirmou que eles teriam sido usados para realizar "monitoramento e coleta dirigida" sobre ele e sobre Messias. No caso específico de Almada, o ministro justificou a medida pelo fato de ele ocupar a Diretoria de Inteligência Policial (DIP), órgão central do sistema de inteligência da PF, responsável por supervisionar a elaboração desse tipo de documento.

A decisão não afirma que Almada tenha pessoalmente elaborado ou determinado a produção dos relatórios, mas aponta indícios preliminares de "grave omissão" e possível participação dos ocupantes dos cargos de maior envergadura na estrutura de inteligência da PF. Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal investigue as circunstâncias da produção dos documentos. A depender do resultado, Rodrigues e Almada podem responder a processos administrativos que podem levar à expulsão da corporação. O ministro avaliou que a permanência dos dois nos cargos poderia colocar em risco as apurações, permitindo que usassem prerrogativas e sistemas para interferir nas investigações.

No caso Marielle Franco, Almada foi o principal encarregado de comandar a chamada "investigação da investigação" da morte da vereadora, apontando os motivos que levaram à impunidade dos responsáveis pelo assassinato. Ao fim do trabalho, em 2024, a PF concluiu que a Polícia Civil do Rio atuou deliberadamente para garantir a impunidade dos autores e mandantes do crime. Os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram apontados como mandantes, e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa teria atuado para atrapalhar as investigações. Todos negam envolvimento no crime.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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